- Cerca de 80% dos recursos da USAID foram encerrados; outros grandes doadores, como Reino Unido e Alemanha, também recuaram; a ajuda humanitária da ONU caiu quase 40% em 2025, totalizando cerca de 15 bilhões de dólares.
- Estimativas indicam perdas humanas significativas: até 1,6 milhão de vidas poderiam ter sido salvadas sem os cortes; mortalidade infantil global em alta; até 23 milhões de vidas podem ser perdidas até 2030 por tendências de desfinanciamento.
- No International Rescue Committee, 2 milhões de clientes perderam serviços e 6 milhões tiveram reduções; mais da metade das instalações de saúde apoiadas pelo governo dos Estados Unidos fecharam ou perderam serviços.
- Dois compromissos bilionários recentes dos Estados Unidos com a Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários e com o Global Fund são bem-vindos, desde que sejam orientados a resultados.
- A reforma é necessária: o sistema precisa ser mais simples, centrado em resultados, voltado a estados em conflito e com maior foco em inovação e ações antecipatórias; não há retorno ao modelo anterior, é preciso reformar com propósito.
A administração de Donald Trump encerrou quase 80% dos contratos e doações da USAID há quase um ano, conforme o texto base. Outros doadores, como Reino Unido e Alemanha, também reduziram apoio. As cifras de financiamento da ONU para assistência humanitária caíram quase 40% em 2025, somando 15 bilhões de dólares. Hoje, o gasto público americano em ajuda humana é alvo de debate.
Segundo o artigo, o custo humano dessas mudanças tem sido alto. O Center for Global Development estima que até 1,6 milhão de vidas poderiam ter sido salvas se o dinheiro não fosse cortado. A Fundação Gates aponta agravamento da mortalidade infantil global pela primeira vez neste século. A Lancet projeta perdas até 2030 em 93 países.
O International Rescue Committee (IRC), liderado pelo autor do texto, reporta que 2 milhões de clientes perderam serviços e 6 milhões tiveram redução de atendimento no último ano. Mais da metade das unidades de saúde assistidas com apoio dos EUA fecharam ou cortaram serviços críticos.
O papel dos grandes donadores e os próximos passos
Apesar da retirada, dois compromissos multibilionários recentes dos EUA com a ONU Desastres (UNOCHA) e com o Fundo Global são vistos como positivos, com potencial para atender necessidades caso foquem em resultados. O texto descreve o conceito Kindleberger Trap, em que não há potência dominante para provir bens públicos globais.
O momento é considerado especialmente desafiador, com cerca de 60 conflitos ativos em 2025, mais de 122 milhões de deslocados forçados e 239 milhões em necessidade humanitária. O saldo global aponta para maior fragmentação, instabilidade climática e risco de retração de redes de proteção.
A reportagem destaca ainda percepções públicas e eficácia das ações. Embora muitos americanos subestimem o gasto com ajuda externa, a avaliação de que apenas 1% do orçamento federal vá ao exterior é contestada pela maioria: a percepção comum é de erro, com consenso de que o patamar correto está próximo de 1%.
Eficiência, inovação e reformulação
Dados recentes mostram o que funciona na prática da assistência. Campanhas de imunização salvaram dezenas de milhões de vidas, e programas de combate à AIDS já renderam ganhos expressivos. No IRC, intervenções simples em áreas de malnutrição podem ampliar o alcance sem elevar custos.
O documento aponta que boa parte das doações hoje continua dispersa, com necessidade de foco geográfico e impacto comprovado. Estudos do IRC indicam que intervenções comprovadas podem escalar com maior eficiência, beneficiando milhões de crianças. A reforma demanda simplificação e foco em estados frágeis.
A proposta central é reformular o sistema para priorizar resultados, accountability e inovação. O texto enfatiza que é possível ampliar recursos para ações de impacto, desde que haja clareza de metas e monitoramento de resultados, direcionando esforços para regiões com maior necessidade.
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