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Zuckerberg nega planejar redes sociais para viciar jovens

Julgamento histórico nos EUA expõe divergências entre Zuckerberg e documentos da Meta sobre uso infantil, com possível indenização e pressão regulatória

CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao tribunal para depor em julgamento que acusa a Meta e o YouTube de prejudicarem a saúde mental de crianças, em Los Angeles, Califórnia, EUA 18 de fevereiro de 2026 REUTERS/Mike Blake
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  • Mark Zuckerberg afirmou que a Meta não permite que crianças menores de 13 anos usem suas plataformas, durante julgamento histórico sobre vício em redes sociais entre jovens em Los Angeles.
  • Advogado da processante apresentou documentos internos da Meta para questionar declarações de Zuckerberg feitas ao Congresso em 2024 sobre a proibição de menores na plataforma.
  • O caso envolve uma mulher da Califórnia que afirma ter sido levada ao vício pelo Instagram e pelo YouTube desde a infância, prejudicando a saúde mental; ela busca responsabilizar as empresas.
  • Meta e Google negam as acusações, ressaltando ações de segurança e explicando que discutiram versões seguras para crianças, mas não chegaram a lançar uma opção para menores de 13.
  • Jurados tiveram acesso a e-mails de 2014 e 2015 com metas de aumentar o tempo de uso; Zuckerberg disse que tais metas eram para melhorar a experiência, não para pressionar o aumento do uso.

Mark Zuckerberg depôs nesta quarta-feira em Los Angeles em um julgamento histórico sobre o suposto vício de jovens em redes sociais. A Meta, que controla Facebook e Instagram, nega que permita menores de 13 anos nas plataformas, e afirma trabalhar para oferecer opções seguras. O processo envolve danos à saúde mental de uma jovem da Califórnia que usa Instagram e YouTube desde a infância.

O caso envolve acusações de que Meta e Google buscavam lucrar com usuários jovens ao dificultar a retirada de hábitos prejudiciais. A autora afirma que os aplicativos agravaram depressão e pensamentos suicidas, buscando responsabilizar as empresas. A Meta e o Google negam as acusações e destacam recursos de segurança já implementados.

Durante o interrogatório, o advogado da autora questionou Zuckerberg sobre declarações anteriores dele ao Congresso em 2024, quando afirma que menores de 13 não podem usar as plataformas. Docentes internos da Meta foram apresentados como evidência para sustentar que a empresa tem interesse comercial nesse público. A defesa argumenta que houve evolução de políticas ao longo do tempo.

O julgamento também analisa se havia discrepância entre o que a empresa comunicava publicamente e as práticas internas. E-mails do ex-vice-presidente Nick Clegg sugerem limites de idade que não eram aplicados de forma uniforme entre Instagram e Facebook. Zuckerberg afirmou que verificar idades é desafiador para desenvolvedores e que responsabilidade caberia aos fabricantes de dispositivos.

Contexto do caso e desdobramentos

Conforme o processo avança, testemunhos trazem à tona metas de tempo de uso no aplicativo, apresentadas em documentos de 2014 e 2015, e levantam questões sobre a diferença entre metas e constatações para a direção. Jurados tiveram acesso a marcos internos para 2023 a 2026, com projeções de aumento no tempo diário de uso.

O executivo ressaltou que a empresa já revisou estratégias para oferecer experiências mais seguras e que o comportamento dos adolescentes representa uma parcela pequena da receita. O caso ocorre em meio a ações que envolvem várias grandes plataformas, incluindo Snap e TikTok, e integra um conjunto de ações coletivas nos EUA.

A defesa aponta que, ao longo dos anos, foram desenvolvidas políticas para reduzir impactos, e que o objetivo é equilibrar a inovação com a proteção de usuários. O veredito pode influenciar outras ações civis contra Meta, Google, Snap e TikTok, em um momento de debate global sobre saúde mental e uso de redes por jovens.

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