- A pesquisadora da ONU sobre os Territórios Palestinos, Francesca Albanese, denunciou ataques “tóxicos” que afetam sua vida pessoal e o trabalho, após pedidos de renúncia feitos por alguns Estados europeus.
- Alemanha, França, Itália e outros países pediram que Albanese deixe o cargo por suas críticas a Israel.
- Uma carta da missão permanente de Israel em Genebra, datada de 15 de fevereiro, afirma que ela violou o código de conduta da ONU.
- O embaixador da França no escritório da ONU reiterou preocupações com declarações “extremamente problemáticas” de um Relator Especial, sem citar o nome de Albanese.
- Albanese disse que as sanções impostas pelos Estados Unidos, em julho, fazem parte de uma estratégia maior para enfraquecer mecanismos internacionais de responsabilização; o presidente do Conselho de Direitos Humanos expressou preocupação com ataques a titulares de mandatos.
Francesca Albanese, especialista da ONU para os Territórios Palestinos, denunciou ataques que classificou como tóxicos à sua vida pessoal e ao trabalho, após pedidos de renúncia de vários Estados europeus em relação às suas críticas a Israel. A declaração foi feita por meio de videoconferência a partir da Jordânia.
Segundo a jornal Reuters, a missiva publicada pelo governo de Israel em Genebra acusa Albanese de violar o código de conduta da ONU e de compartilhar repetidamente retratos antissemíticos. O texto ressalta que, enquanto durar o mandato, a credibilidade da Organização é colocada em risco.
Na terça-feira, o embaixador da França junto às Nações Unidas em Genebra mencionou preocupações do ministro de Relações Exteriores francês sobre declarações consideradas problemáticas por parte de um Relator Especial da ONU, sem citar o nome. O representante pediu cautela a todos que falam em nome das Nações Unidas.
Albanese também associou as sanções impostas pelos Estados Unidos, em julho do ano passado, a uma estratégia para enfraquecer mecanismos internacionais de responsabilização. O governo americano responsabilizou-a por supostos esforços ilegítimos para levar o Conselho da ICC a agir contra oficiais de EUA e Israel.
Ela afirmou que as acusações e as sanções caracterizam uma campanha de difamação, com ataques de diversos países que deveriam, segundo ela, apoiar a responsabilização por supostos crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
O presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Sidharto Reza Suryodipuro, manifestou preocupação com ataques pessoais a mandatários do órgão e reiterou apoio à independência dos relatores. Ele ressaltou que a atuação autônoma é essencial para a credibilidade do conselho.
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