- O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, disse em discurso ao parlamento que os EUA continuam sendo o principal parceiro militar do país, mas que a Polônia não pode ser “ingênua” ou enganada.
- Ele afirmou que a Polônia é, e continuará sendo, aliada leal dos Estados Unidos, mas não pode ser tratada como “sucker”.
- Sikorski pediu à Europa que assuma mais responsabilidade pela segurança e destacou a importância da unidade europeia.
- Segundo o ministro, a ameaça à soberania polonesa vem do leste, não do oeste, e a Europa precisa se unir para não ser dominada por potências maiores.
- Defender a zona leste da OTAN contra uma possível agressão russa custaria pelo menos 1,2 trilhões de euros, 24 vezes o orçamento de defesa da Polônia, afirmou Sikorski, sugerindo que a ajuda atual à Ucrânia é insuficiente frente a esse cenário.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou em discurso ao parlamento na capital polonesa que os EUA continuam sendo o parceiro militar mais importante do país, mas que Varsóvia não pode se tornar vulnerável. O posicionamento foi feito nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, em Varsóvia.
Sikorski explicou que o governo de coalizão pró-EU sob o premiê Donald Tusk busca manter o vínculo transatlântico, ao mesmo tempo em que sinaliza a necessidade de mudar a postura de segurança europeia. O ministro destacou que a cooperação com os Estados Unidos permanece estreita, mas com condições.
O chanceler ressaltou ainda que a responsabilidade pela defesa europeia precisa aumentar, defendendo maior unidade entre os países do continente. Em seu discurso, ele enfatizou que a soberania polonesa depende de uma Europa mais solidária e autossuficiente em termos de segurança.
Contexto estratégico
Segundo Sikorski, defender o flanco oriental da OTAN contra uma possível agressão russa teria custo estimado em 1,2 trilhão de euros, relação cerca de 24 vezes o orçamento de defesa da Polônia. O ministro sugeriu que o apoio financeiro e militar atual a Kiev é insuficiente diante de possíveis cenários de conflito com a Rússia.
A fala destacou também o cenário político interno, em que o espectro partidário vê os EUA como o principal garantidor da segurança polonesa, mas há críticas ao apoio ao ex-presidente Donald Trump entre membros do governo de Tusk, contrastando com a postura mais favorável ao ex-maga e ao presidente Karol Nawrocki entre a oposição nacionalista.
Fonte: reportagem da Reuters, com base em declarações de Sikorski a parlamentares em Varsóvia.
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