- O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse que a violência contra as mulheres é uma emergência global, citando casos como Gisèle Pelicot e Jeffrey Epstein, e afirmou que cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em 2024, na maioria por familiares.
- Türk pediu que os países investiguem todos os crimes, protejam as sobreviventes e garantam justiça sem medo ou favorecimento.
- O comissário alertou sobre a normalização do uso da força para resolver conflitos, dizendo que o mundo enfrenta um “deserto dos direitos humanos” e que quase 60 conflitos armados existem hoje, quase o dobro de 2010.
- Ele condenou a indiferença às violações do direito internacional, destacando que hoje há, em média, dez ataques diários a instalações de saúde.
- Türk conclamou a não tolerar atrocidades e reiterou que não se pode aceitar a violência como base para organizar o mundo.
O alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou que a violência contra as mulheres se transformou em uma emergência global. O alerta foi feito por Volker Türk durante discurso ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na sexta-feira, 27 de fevereiro. Ele destacou que cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinados em 2024, na maioria por familiares.
Entre os casos citados, Türk mencionou Gisèle Pelcot, francesa de 71 anos, vítima de violência violenta por parte de homens recrutados pelo ex-marido, ao longo de uma década, além de trazer à tona os arquivos do americano Jeffrey Epstein. O relato evidenciou a extensão da exploração de mulheres e jovens no mundo, segundo o alto comissário.
O comissário enfatizou que mulheres e jovens enfrentam ameaças crescentes aos seus direitos, pedindo investigação de todos os crimes, proteção às sobreviventes e busca por justiça sem favorecimentos. Também ressaltou a necessidade de combater a normalização do uso da força para resolver conflitos.
Contexto global: conflitos e direitos humanos
Türk alertou que conflitos estão criando um verdadeiro deserto de direitos humanos e que o uso da violência em estratégias de disputa tem se tornado mais comum. O número de conflitos armados quase duplicou desde 2010, chegando a cerca de 60, apontou.
O alto comissário criticou a aparente indiferença ante violações do direito internacional, destacando que ataques a hospitais, embora historicamente gerar indignação, hoje ocorrem em média dez vezes por dia. Ele comentou que ignorar atrocidades alimenta massacres e fragiliza o direito humanitário.
Para encerrar, Türk lembrou que os direitos humanos são uma ferramenta para enfrentar o poder, reiterando que o mundo não deve aceitar a violência como padrão. Em publicação posterior, ele escreveu que a proteção de direitos não é impotência, mesmo diante de abusos generalizados.
Entre na conversa da comunidade