- A Universidade de Adelaide cancelou um evento com a consultora especial da ONU sobre os territórios palestinos, Francesca Albanese, que faria parte do festival Constellations: Not Writers’ Week.
- O show estava marcado para a Elder Hall, na quinta-feira à noite, mas a organização informou que houve cancelamento devido a requisitos não atendidos; nova casa já foi providenciada: Norwood Concert Hall, para até 650 espectadores presenciais.
- A universidade afirmou que a reserva não passou pelo processo de revisão e aprovação exigido, o que levou ao cancelamento, segundo nota institucional.
- O evento seria realizado com Albanese via link de vídeo, ao lado de Henry Reynolds e Lana Tatour, com Chris Sidoti como facilitador; a associação APIL contestou as alegações e diz ter atuado por semanas com a gestão do local.
- O episódio ocorre em meio a debate sobre liberdade de expressão e sanções dos EUA contra Albanese; críticas à decisão vieram de ex-diretora de Adelaide Writers’ Week, que chamou a situação de “Moscou no Torrens”.
Adelaide University cancelou um evento de festival literário com a investigadora da ONU Francesca Albanese, programado para esta semana no Elder Hall. A organização do Constellations: Not Writers’ Week afirma que a decisão ocorreu após a instituição considerar que a reserva não seguiu os requisitos de processo interno. A nova sede acomodará 650 pessoas presencialmente no Norwood Concert Hall.
Os organizadores, representados pela Associação pela Promoção do Direito Internacional (APIL), dizem que a universidade foi informada de problemas apenas na última sexta-feira e que o booking não chegou a passar pela revisão exigida. Albanese participará por transmissão de vídeo, ao lado dos acadêmicos Prof. Henry Reynolds e Dr. Lana Tatour, para discutir colonialismo de ocupação.
Louise Adler, ex-diretora do Adelaide Writers’ Week e atual porta-voz de outro evento do festival, criticou a decisão. Em nota, Adler afirmou que universidades, artes e mídia enfrentam pressão de grupos com visões específicas e que isso empobrece o debate público.
A universidade informou que desconhecia o evento externo até a semana passada. Em nota, afirmou que o booking não seguiu o procedimento de avaliação e aprovação previsto, o que a deixou sem condições de apoiar a sessão, garantir a segurança e manter o padrão do campus para eventos desse porte.
A APIL contestou as alegações da universidade, afirmando que houve contato com a instituição desde 3 de fevereiro e que houve semanas de articulação com a gestão do Elder Hall antes de formalizar a reserva em 20 de fevereiro. Segundo a associação, não houve questionamento sobre o devido processo até o início desta semana.
Além disso, parte da controvérsia envolveu relatos na imprensa australiana sugerindo que a universidade poderia estar em desacordo com sanções norte-americanas envolvendo Albanese, que já enfrentou restrições impostas pelos EUA em 2025. A universidade pediu a apuração dos fatos sem citar sanctionamento específico.
Chris Sidoti, integrante independente da comissão da ONU designado para facilitar o debate, afirmou que as sanções teriam servido para intimidar. Sidoti ressaltou que Albanese atua em universidades ao redor do mundo sem impedimentos e criticou a decisão de restringir o debate público.
A instituição reforçou que valoriza o espaço acadêmico e o livre debate, afirmando que o local onde ocorrem eventos deve respeitar padrões de segurança e qualidade. O festival informou que continua com o calendário de atividades previstas, com adaptações para outras sessões.
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