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Justiça grega confirma que Aurora Dourada é organização criminosa neonazista

Decisão em Atenas condena líderes da Aurora Dourada por direção de organização criminosa, encerrando processo iniciado após o assassinato de Fyssas

Magda Fyssa, madre del rapero Pavlos Fyssas, celebra la condena de los asesinos de su hijo frente al tribunal de Atenas.
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  • A justiça grega encerrou o processo mais longo da história no país, em Atenas, confirmando que Aurora Dorada era uma organização criminosa de ideologia neonazista; sentença de apelação depende de eventual agravante ou atenuante.
  • Doze dos 69 acusados foram absolvidos; sete ficaram fora por prescrição de delitos menores e um faleceu; a segunda instância ocorreu para 42 condenados que recorreram.
  • A primeira instância, concluída em 2020, teve 467 sessões; a apelação final ocorreu neste ano, com 211 sessões a mais e milhares de documentos, pesando quatro terabytes.
  • Entre os condenados estão Nicolaos Mijaloyakos, Jristos Pappás, Ilias Kasidiaris e Ioannis Lagos; Yorgos Rupakiás foi confirmado como autor material do homicídio de Pavlos Fyssas.
  • A defesa aponta que se tratava de perseguição política; do lado de fora, manifestantes antifascistas celebraram a condenação, enquanto a mãe de Fyssas marcou a vitória como coletiva.

O tribunal de Atenas encerrou nesta semana o mais longo julgamento da história da Grécia, envolvendo o partido neonazista Aurora Dorada. A decisão final de apelação confirma a organização criminosa na linha de frente da estrutura do grupo, com condenações para líderes e membros-chave. O veredito chega após o processamento de 69 membros em 2013, em razão do assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas.

Entre os condenados estão o líder Nikos Mijaloyakos, sua mão direita Christos Pappás, o porta-voz parlamentar Ilias Kasidiaris e o eurodeputado Ioannis Lagos, além de mais 38 acusados. Dos 69 réus originais, 12 foram absolvidos, 7 tiveram delitos menores prescritos e um falecido. Sete renunciaram à apelação, restando 42 condenados na segunda instância.

O processo contou com intenso elenco de testemunhas. Ao todo, 144 testemunhas foram ouvidas na primeira instância e 121 na apelação, de um total de centenas de autos que somam quatro terabytes de material. A acusação incluiu perfis variados, como policiais, vítimas, parlamentares e jornalistas; já a defesa reuniu 19 peritos.

Provas e penas

Os réus Mijaloyakos, Pappás, Kasidiaris, Lagos e outros foram condenados pela direção de organização criminosa. A maior parte dos demais recebeu penas por integração na organização. Yorgos Rupakiás viu confirmada a condenação por homicídio qualificado de Fyssas, com outros envolvidos enquadrados em violência organizada e crimes correlatos.

A primeira sentença, de outubro de 2020, determinou prisão perpétua para Rupakiás, 13 anos aos dirigentes e penas entre 5 e 10 anos aos demais. A definição final das penas na apelação dependerá de eventual reconhecimento de agravantes ou atenuantes, mas tende a confirmar o patamar anterior.

Aurora Dorada foi criada em 1981 por egressos da ditadura e simpatizantes do regime nazista. Em 2015 chegou a registrar expressiva bancada parlamentar, mas já vivia conflitos e acusações desde seu surgimento. A violência esteve presente desde o início de suas atividades políticas.

A defesa sustenta que o processo teve motivações políticas, enquanto jornalistas e investigadores destacam ligações com áreas de segurança e com grupos paramilitares. A sentença final foi recebida com manifestações antifascistas em Atenas, que pedem continuidade da luta pela memória das vítimas.

Pavlos Fyssas tornou-se símbolo da resistência antifascista na Grécia. A família do artista e o movimento de oposição acompanharam o desfecho do julgamento, destacando a importância de responsabilizar crimes de ódio e violência associada a extremismos.

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