- O primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu à ameaça de Donald Trump de cortar todo o comércio com a Espanha, mantendo posição contrária a envolvimento em ataques àíran sem consentimento.
- Sánchez afirmou que o país não será cúmplice de algo ruim para o mundo, nem de formas contrárias aos seus valores, por medo de retaliações.
- O premiê pediu que EUA, Israel e Irã encerrem o conflito antes que seja tarde, alertando para o risco de uma guerra prolongada e consequências econômicas globais.
- Trump havia criticado a Espanha por não permitir uso de bases conjuntas para ataques à Irã e disse ter orientado o Tesouro a cortar relações comerciais com o país.
- A Comissão Europeia reiterou defesa unificada dos interesses da União Europeia, destacando que as negociações comerciais ocorrem em bloco e que não há possibilidade de represálias comerciais separadas contra a Espanha.
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez afirmou que Espanha não participa de conflitos no Oriente Médio por medo de retaliações, em resposta a uma ameaça pública de Donald Trump de cortar todas as relações comerciais com o país. A declaração ocorreu após Trump criticar Madrid por não autorizar a utilização de bases espanholas para ataques contra o Irã.
Sánchez reforçou a posição do governo espanhol com o lema “Não à guerra”, dizendo que o país não pode ser conivente com ações que agravem a instabilidade mundial. O objetivo, segundo o premiê, é proteger interesses e valores do país, evitando que pressões externas levem a decisões perigosas.
O líder espanhol pediu que EUA, Israel e Irã interrompam o conflito para evitar consequências catastróficas. Em seu discurso, Sánchez mencionou a possibilidade de um conflito prolongado, com impactos econômicos globais e numerosas vítimas, ressaltando lições da invasão do Iraque em 2003.
Trump havia criticado Madrid por rejeitar, segundo ele, autorização para uso conjunto de bases no sul da Espanha e sugeriu que poderia abordar acordos comerciais sem considerar o país. Durante encontro com o chanceler alemão, Merz, o ex-presidente norte-americano afirmou que Espanha foi pouco receptiva ao escalonamento militar.
O chanceler alemão reiterou que Madrid não pode ser excluída de acordos comerciais entre Bruxelas e Washington e que as negociações sobre tarifas são feitas em conjunto pela União Europeia. Merz acrescentou que não há base para tratar a Espanha de forma diferente.
A Comissão Europeia reforçou a posição de que os interesses da União Europeia devem ser protegidos, mantendo solidariedade entre seus membros e a defesa de uma política comercial comum. A posição foi apresentada como resposta à escalada entre EUA, Israel e Irã.
Teresa Ribera, ex-vice‑premiê e chefe de transição verde da UE, afirmou que o comércio externo é negociado em bloco e que não cabe estabelecer retaliações setoriais. Ela ressaltou que o governo americano está ciente dessa dinâmica na relação transatlântica.
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