- Quatro anos após a guerra, a Rússia se tornou claramente militarista e antiocidental; a sociedade que era pacifista passou a aceitar o papel de agressor.
- A Ucrânia continua lutando pela sobrevivência, reafirmando soberania e posição na Europa, mas já perdeu cerca de um quinto do território, com centenas de milhares de mortos e feridos e milhões de deslocados.
- A aliança ocidental, outrora unida, tornou-se fragmentada, com a liderança dos Estados Unidos e divergências sobre envio de armas e prazos entre aliados europeus.
- A ascensão de Donald Trump alterou o eixo da coalizão, questionando a relevância da OTAN e incentivando uma reavaliação do apoio a Kiev e das prioridades de defesa na região.
- Para encerrar o conflito, é necessário aumentar os custos para a Rússia, intensificar a coordenação europeia e manter apoio militar à Ucrânia, buscando pressão real sem abrir mão de princípios democráticos.
A guerra na Ucrânia chegou a seu quarto ano e redesenhou o que se entende por ordem ocidental. O conflito expôs a fragilidade da coalizão dos liberais democratas e alterou a percepção de liderança dos Estados Unidos e a coesão da OTAN. Rússia tornou-se, reconhecidamente, um país fortemente militarizado e antiocidental, afastando-se da imagem de antagonista periférico.
Ucrânia, por sua vez, reforçou sua identidade como nação em defesa, mantendo uma guerra de sobrevivência contra um adversário significativamente maior. O custo é alto: território perdido, centenas de milhares de mortos e feridos, milhões de deslocados e danos graves à infraestrutura e à economia.
A ordem global pós-Segunda Guerra está em crise, aponta a análise: o que era visto como uma arquitetura estável de deterção coletiva não se sustenta mais com a mesma clareza. O bloco ocidental mostrou variações de apoio e, em alguns momentos, hesitações que diseccionam a confiança na unilateralidade de Washington e na unidade de seus aliados.
Contexto
Desde o início, o Ocidente condenou a invasão russa, prometeu ajuda e impôs sanções, mas a aplicação militar efetiva foi gradual. A ideia de fechar o espaço aéreo ou de enviar tropas da OTAN ficou em debate, gerando críticas internas sobre escalada e custos políticos.
Fluxo de apoio militar
Entre 2022 e 2025, países europeus divergiram sobre o ritmo e o tipo de auxílio bélico. Países do leste pressionaram por armamentos mais pesados, enquanto outras nações europeias adiaram decisões para evitar confronto direto com Moscou.
Mudança de liderança
A entrada de Donald Trump na Casa Branca acentuou a mudança de eixo: o rivalismo diplomático ganhou contornos de ceticismo em relação à OTAN e aos compromissos com defesa europeia. A visão de alianças fortes passou a exigir maior sacrifício financeiro e estratégico.
Consequências estratégicas
Especialistas destacam que o ocidente não abandonou a ordem baseada em regras, mas perdeu a convicção de como aplicá-la de forma eficaz. A insistência de manter a pressão econômica, aliada a uma defesa mais robusta da Ucrânia, emerge como eixo para futuras negociações.
Caminho próximo
As partes envolvidas discutem condições que hoje parecem improváveis de serem aceitas, incluindo o equilíbrio entre custo, tempo e objetivos. A pressão é para que Europa e EUA aumentem o custo do conflito para a Rússia, sem abrir mão de apoio a Kiev.
O texto aponta que, sem uma coalizão coesa e com uma postura de maior coordenação entre europeus, a possibilidade de acordo duradouro diminui. Enquanto isso, a vida de civis continua a ser afetada e o debate sobre o futuro da ordem internacional permanece em aberto.
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