- Irã, por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, assumiu controle do Estreito de Hormuz, desviando navios por uma rota alternativa próxima à costa e cobrando possível pedágio para passagem. Já houve transits com tarifa estimada em $2 milhões.
- Desde meados de março, o estreito opera de forma quase fechada, com o transito diário reduzido e aproximadamente duas dúzias de embarcações usando o trajeto alternativo. O custo elevado impacta tarifas de seguro e preços do petróleo.
- O país sinaliza que navios de países “não hostis” podem passar, desde que aceitem as exigências iranianas, e já houve aumento de pagamentos via CIPS, sistema de pagamentos em yuan.
- Passar pelo estreito sem autorização pode violar leis internacionais e sanções de Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia, levando empresas a evitar rotas alternativas.
- Isolamento estratégico evita o Kharg Island como objetivo principal, com atenção a outras ilhas próximas ao estreito e à chegada de tropas americanas à região, enquanto Teerã busca consolidar o controle da passagem.
O estreito de Hormuz passou a ser visto como alvo estratégico no conflito entre EUA e Irã. O IRGC assumiu o controle efetivo da passagem, que liga o Golfo pérsico ao Oceano Índico, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial.
Desde março, o tráfego no canal diminuiu e os fretes envolvidos subiram. Navios evitam a rota tradicional, optando por trajetos alternativos mais próximos à costa iraniana. Passageiros e cargas enfrentam incertezas e custos maiores.
Dados da Lloyd’s List apontam que IRGC verifica nacionalidade, propriedade, carga e tripulação, liberando a passagem apenas mediante autorização. Estima-se que cerca de duas dezenas de navios já tenham utilizado a rota alternativa até agora.
Tarifa e impactos econômicos
Alguns navios teriam pago por esse privilégio, com tarifas estimadas em até US$ 2 milhões por passagem. Outros, como cargueiros indianos de gás de cozinha, tiveram passagem gratuita em gesto diplomático. Países com petróleo iraniano enfrentam obstáculos.
A prática gerou preocupação com sanções: pagar ao Irã pode violar sanções dos EUA, Reino Unido e União Europeia, levando empresas a evitar a rota. Observa-se, porém, aumento de transações no sistema de pagamento chinês CIPS.
Contexto geopolítico e desdobramentos
O Irã já havia sinalizado que navios de países não hostis poderiam transitar, desde que obedecessem às suas demandas. A mudança de gestão do estreito envolve também a disputa sobre as ilhas Tunb, Abu Musa e Larak, próximas à passagem.
Navios de apoio dos EUA devem chegar à região a partir de 27 de março, com a chegada de marines e uma força expedicionária a bordo dos destróveres USS Tripoli e USS Boxer. O objetivo é manter a passagem sob controle regional.
A estratégia iraniana tem mostrado uma mudança de comando e controle, com foco em táticas assimétricas e uso de minas, drones e barcos pequenos. O regime já prepara o terreno por décadas para operações no estreito, mesmo com o quase consenso internacional de que tal bloqueio viola o direito marítimo.
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