- Nurul Shah Alam, refugiado Rohingya quase cego, morreu após ser abandonado por agentes de fronteira na região de Buffalo, Erie County; a morte foi classificada como homicídio.
- A causa oficial foi complicações de uma úlcera duodenal perfurada, precipitada por hipotermia e desidratação; o relatório também esclarece que homicídio abrange ações ou omissões de terceiros.
- Shah Alam foi preso em 15 de fevereiro e liberado pelo sistema de imigração em 19 de fevereiro, sendo deixado em um Tim Hortons fechado, sem acompanhamento adequado.
- Testemunhas e advogados apontam falhas na coordenação entre autoridades locais e federais, além de preocupações sobre práticas de liberação de detidos.
- A família, defendendo responsabilidade e transparência, está buscando respostas e uma revisão completa do atendimento prestado durante o caso, com repercussão entre autoridades e defensores de direitos humanos.
Nurul Shah Alam, refugiado Rohingya quase cego, foi encontrado sozinho em um estacionamento de Buffalo após acorrer uma sequência de eventos envolvendo a Patrulha de Fronteira dos EUA. A morte dele foi registrada como homicídio após avaliação da necropsia, que apontou complicações de uma úlcera duodenal perforada, agravadas por hipotermia e desidratação. A família busca respostas e responsabilização.
O caso envolve a família Shah Alam, a polícia de Buffalo e autoridades federais. Shah Alam foi detido em 15 de fevereiro após entrar em um quintal de uma residência em Black Rock, território de Buffalo, quando voltava de uma loja turca. Ele foi levado à prisão, onde ficou sob custódia até ser liberado para autoridades federais.
Segundo a análise pericial, o óbito está relacionado a ações de terceiros e a condições a que Shah Alam foi exposto, sugerindo falhas na supervisão e no manejo de pessoas vulneráveis durante a detenção e a liberação. A família afirma que o ambiente hostil não era compatível com a situação dele, que era surdo e dependente de acompanhamento para comunicar-se.
O FBI e o Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgaram posicionamentos contraditórios sobre a participação da Border Patrol no caso. O DHS afirmou que a morte não teve relação com a Border Patrol, enquanto autoridades locais e partes da defesa argumentam que há falhas no protocolo de liberação de detentos imigrantes, com impactos diretos na segurança da pessoa.
Após a divulgação de imagens de câmeras corporais, ficou evidenciado que Shah Alam foi instruído a abandonar um objeto e cumprir comandos, mas não respondeu de forma completa. A intervenção policial incluiu choque com taser, condução ao chão e imobilização, momentos que, segundo autoridades, devem ser analisados em conjunto com a liberação subsequente.
A morte desencadeou apelos por responsabilidade e transparência. Advogados da família defendem que a necropsia indica negligência ou ação inadequada por parte de agências estaduais e federais. Ativistas e especialistas ressaltam preocupações sobre o tratamento de detidos vulneráveis durante o processo de liberação.
No âmbito local, a comunidade Rohingya de Buffalo, estimada em cerca de 2 mil pessoas, vive o choque do caso e teme futuros problemas de comunicação, assistência médica e proteção de direitos durante relatos de detenções e liberações. Organizações de defesa destacam a necessidade de procedimentos mais claros e humanitários.
O inquérito sobre a morte ganhou tração após a divulgação de informações de imprensa e declarações de autoridades. A família indicou que a liberação de Shah Alam ocorreu sem comunicação adequada com parentes ou advogados, gerando buscas por esclarecimentos sobre o trajeto entre o centro de detenção e a liberação final.
A polícia de Buffalo e autoridades estaduais enfrentam pressão para fornecer um cronograma claro de apuração. A Procuradoria de Erie County anunciou que avaliaria elementos da conduta de Shah Alam, levando em conta aspectos médicos, criminais e o tempo de detenção, sem antecipar desfechos.
O caso abre debates sobre políticas de imigração e a coordenação entre autoridades locais e federais. Defensores questionam se procedimentos mais rígidos e comunicados com famílias seriam suficientes para evitar incidentes semelhantes no futuro.
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