- As eleições parlamentares da Armênia ocorrem em 7 de junho, testando se o governo atual manterá o país no caminho democrático.
- O primeiro-ministro Nikol Pashinyan enfrenta forte disputa com a oposição, especialmente o partido Strong Armenia, fundado pelo bilionário Samvel Karapetyan.
- Pashinyan é acusado de manipular o processo eleitoral, com prisões de opositores e jornalistas críticos, além de enfraquecer a independência do Judiciário.
- O governo tem usado recursos estatais para monitorar a oposição e recorre a crimes vagos, como “agressões”, para silenciar críticos; há maior controle sobre a mídia estatal.
- No cenário externo, Estados Unidos e União Europeia têm apoiado publicamente Pashinyan, em meio a tensões com a Rússia e ao contexto de Nagorno-Karabakh, o que levanta preocupações sobre a defesa de mecanismos democráticos.
O partido governista de Armênia enfrenta uma eleição parlamentar em 7 de junho, com dúvidas sobre se o país poderá manter o caminho democrático. O atual primeiro-ministro Nikol Pashinyan, que chegou ao poder em 2018 após a Revolução de Veludo, busca renovar o mandato diante de críticas sobre a condução do processo político e a independência institucional.
Pashinyan tem intensificado ações para manter o controle no cenário doméstico, incluindo uso de recursos estatais na cobertura midiática e medidas que críticos descrevem como repressivas contra opositores. Em meio a isso, o clima eleitoral é marcado por uma disputa acirrada com vários atores, incluindo o grupo Strong Armenia, fundado pelo empresário Samvel Karapetyan, considerado o principal desafiante.
A eleição ocorre em um momento de tensão regional. A Armênia perdeu Nagorno-Karabakh após ofensiva azeri de 2023, e o tema tem influenciado o debate público. Parlamentares de oposição e parte da sociedade civil questionam a capacidade do governo de manter a estabilidade e a governança democrática, diante de acusações de restrição de liberdades.
Contexto eleitoral e sondagens
Pesquisas divulgadas em fevereiro apontam que Pashinyan e seu partido Civil Contract poderiam obter entre 20% e 30% dos votos. Quinze a dezessete partidos, além de duas alianças, disputam as eleições, com cerca de 30% dos eleitores sem certeza de voto, o que aumenta a possibilidade de segundo turno caso não haja maioria estável no parlamento nas primeiras horas após a divulgação dos resultados.
Papel da comunidade internacional
Observadores internacionais comentam o papel de potências externas na eleição. O apoio irrestrito de figuras dos EUA ao incumbente tem sido citado como fator que pode desequilibrar o pleito, especialmente diante de críticas sobre manobras para favorecer o partido governista. Na Europa, a atenção tem se voltado para a cooperação com a Armênia no âmbito da segurança e de esforços para conter desinformação, sem compromisso explícito sobre a defesa da integridade do processo eleitoral.
A União Europeia prepara uma missão destinada a enfrentar ameaças híbridas enquanto o bloco mantém uma retórica de defesa da democracia. Críticos internos destacam que a ênfase europeia em interesses geopolíticos pode ofuscar questões sobre a qualidade institucional e a liberdade de expressão durante a campanha.
Contexto político interno
Karapetyan, líder de Strong Armenia, busca ampliar espaço político. Ele já enfrentou detenção sob acusações que críticos descrevem como de curto alcance político, apenas para dar impulso ao movimento oposicionista. Outros candidatos oposicionistas representam visões controversas sobre o equilíbrio entre laços com a Rússia e abertura para o Ocidente.
Pashinyan tem sustentado a narrativa de combate à influência russa como justificativa para suas políticas e para manter apoio externo. Críticos afirmam que esse discurso mascara tentativas de neutralizar a oposição e de minar instituições democráticas, como o poder judiciário e a independência da imprensa.
Perspectivas
Especialistas apontam que o resultado dependerá de alianças eventuais e da capacidade de oposição de formar coalizões rápidas. A presença de uma maioria estável no parlamento, ou a sua ausência, poderá redefinir o cenário político para o pós-eleitoral. A influência externa, embora relevante, é apenas parte de um quadro complexo de decisões internas.
Entre na conversa da comunidade