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Colômbia se prepara para votar em eleição marcada pela violência política

Eleição na Colômbia ocorre sob escalada da violência política, com sequestros e assassinatos que ressaltam o embate entre propostas de paz e retorno à guerra

People hold candles and signs during a vigil in Cali this month for the journalist Mateo Pérez Rueda, who was killed by Farc dissidents.
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  • Colombia se aproxima às eleições presidenciais em meio a aumento da violência política, com disputa entre esquerda e direita e propostas opostas para enfrentar o conflito de décadas.
  • O jornalista Mateo Pérez Rueda, de 24 anos, foi sequestrado, torturado e morto por dissidentes das Farc, no 36.º Frente, após cobrir o conflito em Briceño, Antioquia.
  • O período eleitoral registra surto de ataques de guerrilhas, homicídios, sequestros e deslocamentos forçados, lembrando violência anterior associada ao acordo de paz de 2016.
  • Os principais candidatos são o empresário Abelardo de la Espriella, de extrema direita, Paloma Valencia, da direita, e Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro; Cepeda lidera as sondagens e defende a “paz total”.
  • Especialistas dizem que, embora os números da violência estejam altos, eles estão mais concentrados regionalmente, ligados a rotas econômicas ilegais, do que a um alcance nacional de antes.

Mateo Pérez Rueda, jornalista de 24 anos, foi sequestrado, torturado e morto por dissidentes das Farc, grupo conhecido como 36º Frente, após viajar a Briceño, Antioquia, para apurar o conflito armado que envolve o Exército, resistência dissidente e organizações criminosas. O caso amplia a denúncia de violência política que acompanha as eleições presidenciais colombianas.

A apuração ocorreu entre 4 e 5 de maio, quando o jovem esteve no município de Briceño, no oeste de Antioquia. Familiares confirmaram a morte após uma missão humanitária; as autoridades não divulgaram detalhes sobre a motivação, mas o caso é visto como elemento simbólico da escalada de violência no período eleitoral.

A violência tem sido atribuída principalmente à disputa por rotas de droga, mineração e contrabando, além de conflitos locais que alimentam execuções, sequestros e deslocamentos forçados. Em Antioquia, familiares de Rueda lembram que o conflito ainda persiste em nível micro, com quadrilhas operando na região.

Contexto eleitoral e propostas de paz

O pleito ocorre em meio a um embate entre esquerda e direita, com propostas contrastantes para lidar com o conflito de décadas. O presidente Gustavo Petro apoia Iván Cepeda, candidato de esquerda, conhecido pela defesa de um acordo de desarmamento amplificado com grupos criminosos sob a política de pacificação total.

Entre os candidatos de direita, os principais adversários são Abelardo de la Espriella, advogado e outsider, e Paloma Valencia, senadora. Ambos defendem firmeza de combate ao crime e retorno a políticas mais duras de segurança, com diferentes enfoques sobre negociação com grupos armados.

Cenário de violência recente

Durante a campanha houve aumento de ataques guerrilheiros, homicídios e sequestros; houve também casos de deslocamento forçado. No último ano, um ataque seguido de assassinato durante evento de campanha tirou a vida de Miguel Uribe Turbay, figura da direita. Enquanto isso, a violência permanece concentrada em áreas com atuação de rotas ilícitas.

Segundo especialistas, a tendência atual difere do período anterior ao acordo de paz de 2016, quando o país registrava picos de violência. Hoje, os incidentes são mais territoriais e ligados a economias criminosas locais, com menor alcance nacional, mas ainda assim graves para as comunidades.

Repercussões locais

Caso de Mateo gerou comoção em Yarumal, cidade vizinha, e chamou a atenção para regiões onde o Estado tem presença limitada. O familiar de Mateo, Jorge Rueda, ressalta que o medo continua em algumas zonas, apesar de avanços em oportunidades para jovens. A morte dele é vista como símbolo de regiões negligenciadas.

As autoridades destacam a necessidade de manter a presença institucional e fortalecer a proteção de repórteres em zonas de conflito. Organizações de direitos humanos pedem respostas rápidas para reduzir a violência e assegurar condições para o exercício do jornalismo independente.

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