- O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, foi a Colleville-sur-Mer, na França, para a cerimônia de 82 anos do desembarque na Normandia, e relacionou imigração a uma nova “invasão” na Europa.
- A fala recebeu críticas públicas rápidas, incluindo do historiador Simon Schama, que a chamou de “grotesca estupidez” e de desrespeito à memória dos soldados.
- Daniel Seidemann afirmou que a declaração é uma profanação da memória daqueles que lutaram na Normandia; Anders Åslund classificou o comentário como “nonsense” e lembrou que questões migratórias são internas.
- O exaltação de Hegseth sobre imigração ganhou contornos políticos, com o ultraconservador JD Vance atribuindo ataques à imigração pela morte de Henry Nowak, e David Lammy dizendo que houve uma retirada de detalhes e que não se trata de migração em massa.
- Antes da viagem, moradores de Langrune-en-Contre reclamação pediram o cancelamento da visita, dizendo que as falas promovem valores contrários à democracia, aos direitos humanos e à paz.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, foi alvo de críticas acuradas de historiadores e defensores de direitos humanos após ligar imigração à celebração do D‑Day. Em Colleville-sur-Mer, no noroeste da França, ele associou a invasão de praias europeias a ideologias consideradas perigosas, em tom que ampliou o debate sobre políticas migratórias. O ato ocorreu durante a 82ª cerimônia de aniversário da Allied landings.
Hegseth enfatizou que diferentes praias europeias estariam recebendo uma nova invasão à luz de fluxos migratórios, segundo ele. Ele pediu que capitais europeias atuassem para conter esse que chamou de invasão, repetindo o discurso crítico à imigração adotado pela administração atual. As afirmações foram recebidas como uma retomada da retórica de políticas de fronteira.
A repercussão foi imediata nas redes e entre analistas. O historiador Simon Schama descreveu as falas como uma mistura de cegueira histórica e arrogância, ao comparar o discurso com a defesa de uma agenda de imigração. Outro crítico afirmou que tais comentários desrespeitam os resistentes da Segunda Guerra Mundial.
Do Oriente Médio, o advogado de direitos humanos Daniel Seidemann qualificou as declarações como uma profanação da memória dos soldados que lutaram na Normandia. Ele ressaltou que a memória histórica não pode ser usada para justificar políticas contemporâneas de imigração, segundo sua visão.
O economista Anders Åslund, ex-senior fellow do Atlantic Council, responsabilizou Hegseth por defender políticas de imigração como questão interna dos EUA, sugerindo que tais falas não refletem a aliança transatlântica. Em seguida, Åslund questionou a confiabilidade da relação dos EUA com aliados diante de críticas recentes.
Antes da visita à França, Hegseth já havia atraído críticas por não comparecer a uma importante reunião da OTAN, enquanto o governo americano sinalizava cortes no número de tropas na Europa, uma linha que amplifica o escrutínio sobre compromissos com aliados.
Horas antes da viagem, o vice‑presidente americano, JD Vance, postou nas redes sociais associando imigração a incidentes de violência, em meio a disputas sobre casos envolvendo cidadãos britânicos. A publicação gerou reação entre políticos e assessores no Reino Unido.
No Reino Unido, o secretário de Justiça e vice‑primeiro-ministro, David Lammy, afastou a ideia de que o caso estivesse ligado a migração em massa, afirmando que o caso envolvia um jovem britânico e que Vance estava incorreto. Lammy disse que haveria uma correção pública sobre o tema.
Antes da cerimônia, moradores de Langrune‑sur‑Mer manifestaram oposição à viagem de Hegseth, alegando que o visitante promove valores que vão contra a democracia e os direitos humanos. A associação local defendeu que o conteúdo da visita não condiz com o espírito pacífico da região.
As denúncias destacam o acirrado debate sobre imigração nos EUA e no exterior, com diferentes setores apontando riscos de instrumentalização histórica para justificar políticas. O episódio ocorre em meio a tensões sobre alianças internacionais e frequentes críticas a decisões do governo norte‑americano.
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