Um painel da ONU revelou que dezenas de pistolas brasileiras foram desviadas para negociantes de armas que operam com os rebeldes houthis no Iêmen, país em guerra civil desde 2014. O comércio de armas com o Iêmen é proibido por sanções da ONU, mas a investigação mostrou que as pistolas da fabricante Taurus foram vendidas […]
Um painel da ONU revelou que dezenas de pistolas brasileiras foram desviadas para negociantes de armas que operam com os rebeldes houthis no Iêmen, país em guerra civil desde 2014. O comércio de armas com o Iêmen é proibido por sanções da ONU, mas a investigação mostrou que as pistolas da fabricante Taurus foram vendidas legalmente a países como Tanzânia, Djibuti e Arábia Saudita, antes de serem desviadas para o mercado negro.
O relatório datado de 11 de outubro de 2023 identificou 73 pistolas da Taurus sendo comercializadas em plataformas online e em uma feira militar em Sanaa, a capital iemenita. Dentre essas, 37 pistolas foram vendidas para a polícia da Tanzânia, 20 para o Djibuti e 12 para a Arábia Saudita entre 2021 e 2023. O caso do Djibuti remete a um esquema anterior, onde armas da Taurus foram vendidas a um traficante que operava no Brasil.
A Taurus, em nota, afirmou que não possui responsabilidade legal sobre o uso das armas após a venda e que colaborou com a ONU ao fornecer informações sobre as pistolas. A empresa destacou que não mantém negócios com o Iêmen ou países em conflito. Apesar de o Brasil ser signatário do Tratado de Comércio de Armas, especialistas apontam que o controle sobre a venda e o rastreamento das armas é insuficiente.
A diretora do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, criticou a fragilidade do controle no Brasil, ressaltando que o Ministério da Defesa deve consultar o Itamaraty antes de aprovar vendas de armamento. A Defesa, por sua vez, afirmou que todo o processo de liberação das armas seguiu as regras estabelecidas, mas não comentou sobre o caso específico do Djibuti.
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