Auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram um potencial prejuízo de R$ 1,4 milhão em uma obra de asfaltamento em Lagarto, Sergipe, realizada pela Liga Engenharia. A empresa, que tem um dos sócios como cunhado de um sobrinho de Fernando Bezerra (MDB), ex-líder do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado, firmou um contrato de R$ […]
Auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram um potencial prejuízo de R$ 1,4 milhão em uma obra de asfaltamento em Lagarto, Sergipe, realizada pela Liga Engenharia. A empresa, que tem um dos sócios como cunhado de um sobrinho de Fernando Bezerra (MDB), ex-líder do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado, firmou um contrato de R$ 6,1 milhões com a Codevasf em 2020. O valor do prejuízo representa quase 24% do total do contrato.
As irregularidades apontadas pela CGU incluem a espessura da pavimentação, que em alguns trechos ficou abaixo do especificado no projeto. Além disso, não foram apresentados resultados de testes que comprovassem a conformidade da espessura do asfalto com o que foi acordado. O relatório da CGU destaca que houve falhas nos controles da execução do contrato, especialmente em relação à espessura do capeamento asfáltico, que deveria ser de 5,0 cm.
Outro ponto crítico é o supersaturamento de mais de R$ 460 mil em um contrato de transporte de material da obra. A Codevasf, em nota, afirmou que atua “em cooperação permanente com órgãos de fiscalização e controle” e que notificou as empresas envolvidas após a auditoria da CGU. A Liga Engenharia, criada em 2012, recebeu cerca de R$ 74 milhões em emendas do relator, parte do orçamento secreto, até o ano passado.
Os repasses à Liga Engenharia foram significativos, especialmente em 2021, quando a empresa recebeu R$ 33 milhões. No total, a Codevasf pagou R$ 52,8 milhões, enquanto o Dnocs contribuiu com R$ 21,9 milhões. Considerando todas as modalidades de emendas parlamentares, o montante recebido pela empresa se aproxima de R$ 100 milhões. Até o momento, Fernando Bezerra e a Liga Engenharia não se pronunciaram sobre as irregularidades identificadas pela CGU.
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