A Procuradoria-Geral da República apresentou uma denúncia contra aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), alegando que eles planejaram interferir no segundo turno das eleições em várias cidades do Brasil. O documento revela que Marília Alencar, então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, solicitou um mapeamento de dados sobre municípios onde Lula (PT) teve mais […]
A Procuradoria-Geral da República apresentou uma denúncia contra aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), alegando que eles planejaram interferir no segundo turno das eleições em várias cidades do Brasil. O documento revela que Marília Alencar, então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, solicitou um mapeamento de dados sobre municípios onde Lula (PT) teve mais de 75% dos votos no primeiro turno. “O uso dessa ferramenta era considerado essencial para a execução do plano de manutenção de JAIR BOLSONARO no poder”, afirma a denúncia.
O analista de inteligência Clebson Vieira expressou sua “perplexidade” diante das solicitações e confirmou que suas análises influenciaram as ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno. Entre os turnos, Alencar intensificou reuniões com o então ministro da Justiça, Anderson Torres, com foco na região Nordeste, onde uma planilha detalhava 37 cidades que votaram majoritariamente em Lula.
Além disso, o levantamento continha informações sobre Minas Gerais, com abas intituladas “MG MAIOR QUE 75% LULA” e “MG MAIOR QUE 50% BOLSO”. Conversas em um grupo chamado “EM OFF” discutiram a operação que utilizou a estrutura da PRF, revelando indícios de interferências em Porto Alegre, Pelotas e Belford Roxo. Marília Alencar mencionou que “Belford Roxo o prefeito é vermelho, precisa reforçar pf”, referindo-se ao apoio do prefeito Waguinho (Republicanos) à campanha de Lula.
A Procuradoria-Geral da República conclui que as mensagens trocadas indicam uma intensa coordenação de estratégias para interferir no processo eleitoral. As investigações apontam para uma rede de comunicação entre os envolvidos, com evidências de reuniões e decisões que buscavam garantir a vitória de Jair Bolsonaro, utilizando ações conjuntas e, possivelmente, a força policial.
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