O tenente-coronel Mauro Cid, em sua delação premiada, revelou que o ex-procurador-geral da República, Augusto Aras, costumava agendar reuniões diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao contrário de outras autoridades que o procuravam para marcar encontros. Cid afirmou que essas reuniões ocorriam mensalmente no Palácio da Alvorada e que ele não participava das discussões, apenas […]
O tenente-coronel Mauro Cid, em sua delação premiada, revelou que o ex-procurador-geral da República, Augusto Aras, costumava agendar reuniões diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao contrário de outras autoridades que o procuravam para marcar encontros. Cid afirmou que essas reuniões ocorriam mensalmente no Palácio da Alvorada e que ele não participava das discussões, apenas conduzia Aras até o presidente. Durante sua gestão, Aras arquivou investigações que poderiam incriminar Bolsonaro, incluindo casos relacionados à Covaxin e ao vazamento de dados do TSE.
Bolsonaro negou as acusações da PGR e expressou pena por Cid, afirmando que a delação do ex-ajudante de ordens é uma tentativa de tortura psicológica. Ele criticou a PGR, chamando a denúncia de “delírio” e alegou que sua defesa buscará anular a delação, citando precedentes na Lava Jato. O ex-presidente também se manifestou sobre sua situação, afirmando que prefere permanecer no Brasil e que não teme a prisão, apesar de seu passaporte estar retido.
Em sua delação, Cid mencionou que Bolsonaro solicitou a venda de presentes recebidos durante sua presidência para cobrir multas e outras despesas. Ele detalhou a venda de relógios de luxo e kits de joias, totalizando US$ 86 mil em pagamentos fracionados a Bolsonaro. Cid também revelou que o ex-presidente pediu a falsificação de cartões de vacinação, alegando que a ação foi motivada pelo medo de perseguições após deixar o cargo.
Os vídeos da delação de Cid foram divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes, revelando detalhes sobre a relação entre Bolsonaro e Aras, além de implicações sobre um suposto esquema de monitoramento de autoridades. A defesa de Bolsonaro criticou a delação, considerando-a “precária” e “incoerente”, e afirmou que o ex-presidente nunca compactuou com ações que visassem desestabilizar o Estado Democrático de Direito.
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