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Ayuso critica governo por lembrar torturas da ditadura e sugere informar turistas sobre campos de concentração em Canárias

- Isabel Díaz Ayuso, presidenta da Comunidade de Madrid, critica proposta do governo. - Ela se opõe à placa que reconhece a Real Casa de Correos como local de memória. - Ayuso sugere que outros locais nas Ilhas Canárias também deveriam ser reconhecidos. - O conflito entre as administrações se intensifica, com recurso ao Tribunal Constitucional. - A proposta do governo visa resgatar a memória das violências da ditadura franquista.

A presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, expressou sua indignação em relação à decisão do governo central de reconhecer a sede da Presidência de Madrid como um local de torturas durante a ditadura franquista, entre 1939 e 1979. Em uma carta ao ministro Ángel Víctor Torres, responsável pela proposta de declarar a Real […]

A presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, expressou sua indignação em relação à decisão do governo central de reconhecer a sede da Presidência de Madrid como um local de torturas durante a ditadura franquista, entre 1939 e 1979. Em uma carta ao ministro Ángel Víctor Torres, responsável pela proposta de declarar a Real Casa de Correos como um lugar de memória democrática, Ayuso criticou essa iniciativa como “insólita” e alegou que o governo tem uma “intenção manipuladora e ideológica” ao associar o edifício à ditadura.

Ayuso também sugeriu que o ministro reconhecesse três edifícios nas Ilhas Canárias como locais de memória, ironizando sobre a história dos aeroportos da região, que, segundo ela, foram construídos sobre campos de concentração. “Os turistas que chegam a essas ilhas apreciariam saber que estão pisando em um aeroporto construído por presos políticos”, afirmou. Em resposta, o historiador Gutmaro Gómez Bravo destacou que a comparação feita por Ayuso minimiza a importância da Real Casa de Correos, que foi o centro da perseguição política durante o franquismo.

O governo regional argumenta que a fase de torturas da Direção Geral de Segurança representa apenas 15% da história do edifício e que a colocação de uma placa poderia interferir em suas funções administrativas. O governo central, por sua vez, defende a declaração como uma forma de reconhecer as violações de direitos humanos ocorridas no local, enfatizando a necessidade de lembrar os que sofreram humilhações e torturas. A disputa entre as administrações está em seu auge, com Madrid já tendo registrado um recurso no Tribunal Constitucional contra a declaração.

A tensão entre Ayuso e o governo de Pedro Sánchez se intensificou desde que ela assumiu o cargo, afetando diversas áreas políticas. A proposta de reconhecimento da Real Casa de Correos como um lugar de memória democrática é vista por Ayuso como uma tentativa de dar significados “manipuladores e divisórios” ao edifício, que, segundo ela, tem uma história rica e complexa que vai além do período de repressão. A batalha legal sobre a colocação da placa que recorda as torturas continua, com o futuro da proposta dependendo das decisões do Tribunal Constitucional.

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