A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2023, de descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal no Brasil, abriu caminho para um mercado potencialmente milionário relacionado ao cultivo da planta. Embora a venda e o uso de maconha ainda sejam considerados ilícitos, a nova interpretação permite que os usuários possuam até […]
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2023, de descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal no Brasil, abriu caminho para um mercado potencialmente milionário relacionado ao cultivo da planta. Embora a venda e o uso de maconha ainda sejam considerados ilícitos, a nova interpretação permite que os usuários possuam até 40 gramas ou cultivem até seis plantas fêmeas. Essa mudança facilita a criação de um mercado legal que pode movimentar a economia, conforme apontam especialistas.
Thiago Dessena Cardoso, cofundador da consultoria Kaya Mind, estima que o mercado relacionado ao estilo de vida da cannabis já movimenta mais de R$ 500 milhões anualmente. Esse mercado abrange não apenas a planta, mas também acessórios e produtos culturais, refletindo uma tendência global que inclui moda e equipamentos para cultivo. Cardoso destaca que o setor está em crescimento, com empresas faturando milhões mesmo sem a legalização total da maconha.
A Kaya Mind estima que cerca de 2,8 milhões de adultos no Brasil usam maconha regularmente. Produtos como sedas e equipamentos para cultivo representam uma parte significativa do mercado legal. A empresa Bem Bolado, por exemplo, fatura R$ 40 milhões anualmente apenas com a venda de sedas. O potencial do mercado de cannabis regulamentada no Brasil pode chegar a R$ 11 bilhões anuais, caso a venda legal da droga seja permitida.
O cultivo doméstico legal de maconha, agora permitido, gera demanda por produtos que facilitam esse processo. As growshops, que vendem equipamentos e acessórios para cultivo, estão se expandindo, oferecendo desde cabines de cultivo até sistemas de iluminação. A empresa Leds Indoor, especializada em produtos para cultivo, já alcançou um faturamento de R$ 10 milhões por ano e projeta crescer ainda mais. O aumento da demanda por informações sobre cultivo legalizado também é uma oportunidade, com iniciativas educacionais surgindo para apoiar novos cultivadores.
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