O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, fez um apelo por “paz” neste domingo, em meio a denúncias de organizações de direitos humanos sobre a morte de centenas de alauítas pelas forças de segurança do novo governo. A minoria alauíta, que apoiava o ex-ditador Bashar al-Assad, foi alvo de ataques durante uma operação militar na região […]
O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, fez um apelo por “paz” neste domingo, em meio a denúncias de organizações de direitos humanos sobre a morte de centenas de alauítas pelas forças de segurança do novo governo. A minoria alauíta, que apoiava o ex-ditador Bashar al-Assad, foi alvo de ataques durante uma operação militar na região de Latakia, onde o governo alega ter enfrentado um levante de forças ligadas ao antigo regime. O governo informou que dezesseis militares morreram e que respondeu enviando tropas para a região.
Os alauítas, que representam cerca de 10% da população síria, negam a versão oficial e afirmam estar sendo perseguidos por sunitas radicais. Em um discurso em Damasco, Sharaa enfatizou a necessidade de preservar a unidade nacional, mas a eficácia de suas palavras ainda é incerta. A Federação de Alauítas na Europa denunciou uma “limpeza étnica sistemática”, enquanto relatos de moradores indicam execuções e saques em suas comunidades.
Desde a queda de Assad, em dezembro, a Síria enfrenta uma das piores ondas de violência, com o Observatório de Direitos Humanos da Síria reportando mais de mil mortes, incluindo mais de setecentos civis. A escalada dos conflitos gerou preocupações internacionais, com Rússia e Turquia alertando sobre a ameaça à estabilidade regional. A Alemanha pediu moderação para evitar uma espiral de violência.
Além dos alauítas, outras minorias, como os curdos e cristãos, enfrentam incertezas em meio à nova configuração política. Os curdos, que também compõem cerca de 10% da população, firmaram um acordo com as autoridades em Damasco para se integrarem às Forças Armadas sírias. Os cristãos, que representam apenas 2% da população atual, estão cautelosos quanto ao retorno ao país, temendo a presença de antigos jihadistas no novo governo.
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