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Bidzina Ivanishvili: herói local ou aliado da Rússia? A divisão entre os georgianos

- A vila de Chorvila apoia fervorosamente Bidzina Ivanishvili, do partido Georgian Dream. - Protestos em massa surgem contra alegações de manipulação eleitoral e repressão. - O governo intensifica multas e demissões de críticos, visando silenciar a oposição. - Jovens manifestantes denunciam a influência de Ivanishvili e sua agenda pró-Rússia. - A situação reflete uma luta maior entre valores ocidentais e tradições georgianas.

Em Chorvila, uma pequena vila no noroeste da Geórgia, a figura de Bidzina Ivanishvili é venerada por muitos moradores, que o consideram o verdadeiro poder do país. A localidade, caracterizada por boas estradas e casas bem cuidadas, exibe orgulhosamente as bandeiras do partido Sonho Georgiano, fundado por Ivanishvili, que está no poder há doze anos. […]

Em Chorvila, uma pequena vila no noroeste da Geórgia, a figura de Bidzina Ivanishvili é venerada por muitos moradores, que o consideram o verdadeiro poder do país. A localidade, caracterizada por boas estradas e casas bem cuidadas, exibe orgulhosamente as bandeiras do partido Sonho Georgiano, fundado por Ivanishvili, que está no poder há doze anos. Mamia Machavariani, um residente, afirma: “Tudo isso aqui foi feito pelo nosso homem. Sem ele, nada existiria”. No entanto, a popularidade de Ivanishvili contrasta com os protestos que eclodiram em todo o país, onde os cidadãos acusam seu partido de manipulação eleitoral e de desviar a Geórgia da União Europeia em direção à influência russa.

Ivanishvili, que fez fortuna na Rússia nos anos 1990, é conhecido por suas contribuições à comunidade local, como o presente de US$ 3.000 para casais recém-casados e melhorias em infraestrutura, incluindo hospitais e escolas. Temuri Kapanadze, professor de história, destaca que a escola da vila, onde Ivanishvili estudou, possui piscina e quadra de basquete, um luxo raro em áreas rurais. Apesar do apoio local, muitos veem a oposição como responsável pelos protestos pró-UE, alegando que a Geórgia deve manter suas tradições. Giorgi Burjenidze, um morador, expressa: “Queremos a Europa, mas com nossas tradições”.

Os protestos, que começaram após a suspensão das negociações com a União Europeia, têm sido reprimidos. Tamara Arveladze, uma manifestante, descreve a agressividade da polícia durante uma abordagem, resultando em multas pesadas para ela e seu namorado. Tamar Oniani, diretora de um programa de direitos humanos, critica a manipulação legislativa e o uso de câmeras de reconhecimento facial para identificar manifestantes. O governo, por sua vez, desqualifica os protestos, com o Primeiro-Ministro Irakli Kobakhidze chamando os manifestantes de “massa amorfa”.

Desde o início dos protestos, centenas de funcionários públicos perderam seus empregos por assinar petições contra o governo. Nini Lezhava, uma ex-funcionária, relata uma “limpeza” no setor público, com o governo eliminando vozes críticas. A situação é vista como parte de um movimento mais amplo para alinhar a Geórgia com a Rússia, enquanto em Chorvila, Kapanadze reflete sobre a natureza mutável das alianças, afirmando: “Não existem amigos e inimigos para sempre”.

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