Uma proposta do senador italiano Dario Franceschini, do Partido Democrático (PD), gerou um intenso debate político na Itália. O projeto sugere que os filhos recebam apenas o sobrenome da mãe, visando corrigir uma “injustiça histórica” na atribuição automática do sobrenome paterno. Franceschini defende que essa mudança não é apenas simbólica, mas uma forma de combater […]
Uma proposta do senador italiano Dario Franceschini, do Partido Democrático (PD), gerou um intenso debate político na Itália. O projeto sugere que os filhos recebam apenas o sobrenome da mãe, visando corrigir uma “injustiça histórica” na atribuição automática do sobrenome paterno. Franceschini defende que essa mudança não é apenas simbólica, mas uma forma de combater desigualdades de gênero enraizadas na sociedade.
A reação da direita foi imediata. O líder da Lega, Matteo Salvini, ironizou a proposta, afirmando que seria uma maneira de “apagar os pais da face da terra”. O Fratelli d’Italia (FdI) também se opôs, com o deputado Galeazzo Bignami argumentando que o sobrenome do pai seria apenas substituído pelo do avô materno. O Forza Italia (FI) classificou a iniciativa como uma “provocação midiática”.
Dentro da esquerda, as opiniões foram mistas. Alessandra Maiorino, do Movimento 5 Estrelas (M5S), considerou a proposta uma provocação, enquanto o líder do partido centrista Azione, Carlo Calenda, questionou se não haveria prioridades mais urgentes. Por outro lado, setores mais progressistas, como a deputada Laura Boldrini (PD), apoiaram a proposta, afirmando que o debate não pode ser adiado.
A discussão sobre sobrenomes ganhou força na Itália após uma decisão da Corte Constitucional em 2022, que considerou inconstitucional a regra que impunha automaticamente o sobrenome paterno. A presidente da Comissão de Justiça do Senado, Giulia Bongiorno (Lega), defendeu um modelo equilibrado que não torne nenhum dos pais “invisível”. Especialistas jurídicos apontam que a proposta de Franceschini pode ser contestada por inconstitucionalidade, pois poderia criar uma nova desigualdade ao excluir o sobrenome paterno.
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