O urbanismo com foco nas necessidades das mulheres está ganhando destaque na Espanha. Iniciativas em lugares como o País Vasco e Alcorcón estão criando políticas que melhoram a segurança e a acessibilidade para as mulheres nas cidades. Muitas mulheres enfrentam desafios diários, como voltar para casa sozinhas à noite ou lidar com o transporte público enquanto cuidam de crianças e idosos. A arquiteta Inés Sánchez de Madariaga destaca que homens e mulheres usam a cidade de maneiras diferentes, e que as cidades não foram projetadas pensando nas mulheres. Apenas cerca de 30% das mulheres têm carro, o que as torna dependentes do transporte público. A ideia de uma cidade de 15 minutos, onde tudo pode ser acessado em um quarto de hora a pé ou de bicicleta, está sendo promovida por especialistas. Algumas comunidades já implementaram leis que exigem a análise de impacto de gênero em planos urbanísticos. O País Vasco é um exemplo, tendo criado mapas de segurança e investido em políticas que priorizam a perspectiva de gênero. Em Alcorcón, o governo local está trabalhando para melhorar a infraestrutura e garantir que as mulheres possam se mover com segurança. A arquiteta Verónica Benedet e a doutoranda Marta Ezquerecocha defendem que as cidades devem ser projetadas para serem seguras e acessíveis, com boa iluminação e espaços limpos. Elas também ressaltam que a perspectiva de gênero deve ser considerada em projetos de habitação.
Recentemente, a discussão sobre urbanismo com perspectiva de gênero ganhou destaque na Espanha, com iniciativas em comunidades como o País Vasco e Alcorcón. Essas ações visam implementar políticas urbanísticas que priorizam segurança e acessibilidade para mulheres.
A arquiteta Inés Sánchez de Madariaga, pioneira na área, afirma que homens e mulheres utilizam a cidade de maneiras diferentes. Dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que mais de 1,3 milhões de mulheres cuidam de pessoas com deficiência. Apesar de sua crescente participação no mercado de trabalho, apenas cerca de 30% das mulheres possuem veículo próprio, tornando-as dependentes do transporte público.
A proposta de uma cidade de 15 minutos busca garantir que os cidadãos tenham acesso a serviços essenciais em até quarto de hora a pé ou de bicicleta. Marta Ezquerecocha, analista de políticas urbanas, ressalta a importância de questionar as cidades tradicionalmente projetadas com uma visão androcêntrica e capitalista.
Iniciativas em Andamento
Desde 2018, o Tribunal Supremo exige que os planos urbanísticos incluam relatórios de impacto de gênero. Comunidades como País Vasco, Catalunha e Andaluzia já incorporaram essa perspectiva em suas legislações. Em Alcorcón, a coordenadora geral de Agenda Urbana, Eulalia Moreno de Acevedo, destaca que os promotores devem “usar as gafas violetas” para empoderar as mulheres nas ruas.
O País Vasco é um exemplo de boas práticas, tendo implementado mapas de segurança e políticas de mobilidade que priorizam a segurança feminina. Em Bilbao, iniciativas como os caminhos escolares visam garantir que crianças possam ir à escola de forma segura. Barcelona também se destaca com o conceito de supermanzana, que prioriza o espaço pedonal.
Desafios e Oportunidades
Ezquerecocha aponta que a iluminação adequada e a manutenção das ruas são essenciais para aumentar a sensação de segurança. Ela critica a falta de transporte público durante a noite, ressaltando que muitas mulheres trabalham em turnos noturnos em setores essenciais.
Além disso, a arquiteta Benedet enfatiza que a perspectiva de gênero deve ser aplicada também nas habitações, garantindo que os espaços sejam adequados e não sobrecarreguem as mulheres com tarefas domésticas. O futuro do urbanismo, segundo especialistas, deve ser construído com uma visão igualitária, enfrentando desafios e promovendo a autonomia feminina nas cidades.
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