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Pastores evangelicais buscam transformação em comunidades afetadas pela violência em Caracas

Pastores evangélicos na Venezuela oferecem apoio a comunidades afetadas pela violência, enquanto Maduro busca aliança com igrejas.

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Na Venezuela, pastores evangélicos como Fernanda Eglé e José Luis Villamizar estão ajudando comunidades afetadas pela violência e criminalidade. Eglé criou um “serviço para criminosos” em sua igreja, onde oferece apoio espiritual e prático, mesmo enfrentando desafios em meio à crise econômica que forçou milhões a deixar o país. Embora a maioria da população ainda seja católica, a presença de evangélicos tem crescido, em parte devido à falta de padres e à busca por apoio em tempos difíceis. Villamizar, que começou sua igreja em casa durante a pandemia, também trabalha para ajudar ex-criminosos a mudar de vida, oferecendo abrigo e suporte até que consigam se reerguer. Enquanto isso, o governo de Nicolás Maduro tenta se aproximar das igrejas evangélicas, oferecendo ajuda financeira, mas muitos pastores preferem manter a independência. Apesar das tentativas de Maduro de ganhar apoio entre os evangélicos, especialistas afirmam que isso não teve um impacto significativo nas eleições. Para muitos, as igrejas evangélicas se tornaram um refúgio, oferecendo um espaço acolhedor e apoio em meio à crise.

CARACAS, Venezuela (AP) — A crise econômica e social na Venezuela, agravada pela corrupção e pela gestão do governo de Nicolás Maduro, levou pastores evangélicos a criar serviços voltados para criminosos. Fernanda Eglé e José Luis Villamizar são exemplos de líderes religiosos que oferecem apoio espiritual e prático em comunidades afetadas pela violência.

Eglé, que dirige uma igreja em Caracas, enfrentou um dilema ao receber a pergunta de um membro de gangue sobre trazer uma arma para o culto. Ela decidiu criar um “serviço para criminosos” para atrair esses indivíduos e ajudá-los a encontrar um caminho de mudança. “Foi arriscado, mas era o plano de Deus”, afirmou Eglé.

A crise econômica, que se intensificou desde que Maduro assumiu o poder em 2013, resultou na migração em massa de milhões de venezuelanos. Apesar das alegações oficiais de queda na inflação, o presidente declarou uma “emergência econômica” em abril de 2024, concedendo-se poderes para implementar medidas extraordinárias.

Crescimento das Igrejas Evangélicas

Estudos indicam que a comunidade evangélica na Venezuela tem crescido nas últimas décadas, impulsionada pelas crises sociais e políticas. David Smilde, professor de sociologia, destaca que a escassez de padres católicos também contribui para essa expansão, permitindo que as igrejas evangélicas preencham a lacuna.

Embora o Departamento de Estado dos Estados Unidos estime que 96% da população seja católica, especialistas acreditam que a proporção de evangélicos pode ser de 10% a 12%. Villamizar, que fundou sua igreja durante a pandemia, também trabalha para ajudar ex-criminosos a se reintegrarem à sociedade.

Ambos os pastores realizam visitas regulares a pessoas idosas e necessitadas, oferecendo alimentos, medicamentos e apoio emocional. Eglé menciona que, em sua igreja, gangues concordaram em deixar suas armas na entrada, permitindo um ambiente mais seguro para todos.

Relação com o Governo

Em 2023, Maduro lançou o programa “Minha igreja bem equipada”, que oferece financiamento a igrejas evangélicas. Enquanto alguns pastores aceitam a ajuda, outros, como Villamizar, preferem manter a independência. “Se a igreja se envolver na política, acaba em dívida”, disse ele.

A aproximação de Maduro com as igrejas evangélicas não teve o impacto esperado em sua popularidade, segundo Smilde. A estrutura descentralizada das igrejas evangélicas dificulta a mobilização política, o que foi subestimado por muitos políticos.

A transição de muitos venezuelanos do catolicismo para o evangelicalismo reflete uma busca por apoio espiritual em tempos de crise. Israel Guerra, um ex-católico, destaca que as igrejas evangélicas se tornaram refúgios acessíveis para todos, independentemente de sua origem social.

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