O Brasil viveu uma ditadura militar de 1964 a 1985, marcada por repressão, censura e resistência. O golpe de 31 de março de 1964 derrubou o presidente João Goulart e instaurou um regime que perseguiu opositores. Em 1968, o Ato Institucional nº 5 deu plenos poderes ao governo, fechando o Congresso e censurando a imprensa. A morte do jornalista Vladimir Herzog em 1975 expôs a brutalidade do regime e gerou indignação. A Passeata dos Cem Mil, em 1968, reuniu 100 mil pessoas em protesto, enquanto a censura atingiu jornais na década de 1970. A Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1974, foi uma resistência armada que resultou em muitas mortes e desaparecimentos. A campanha pela Anistia, no final dos anos 1970, mobilizou a sociedade por perdão a perseguidos, culminando na Lei da Anistia em 1979, que permitiu o retorno de exilados, mas garantiu impunidade a torturadores. Em 1984, o movimento Diretas Já exigiu eleições diretas, acelerando o fim do regime. A eleição de Tancredo Neves em 1985 simbolizou a transição para a democracia, embora ele tenha falecido antes de assumir. Esses eventos são importantes para entender as consequências da ditadura e fortalecer a democracia no Brasil.
Durante mais de duas décadas, o Brasil viveu sob um regime autoritário que redefiniu o cenário político, social e cultural do país. Entre 1964 e 1985, a ditadura militar deixou marcas profundas — com repressão, censura, mortes e resistência. Neste ranking, relembramos 10 momentos-chave que ajudam a entender a trajetória desse período e sua herança ainda presente na democracia brasileira.
1. Golpe Militar de 31 de Março de 1964
O golpe que derrubou o presidente João Goulart foi o ponto de partida da ditadura militar no Brasil. Sob o pretexto de conter uma ameaça comunista, os militares tomaram o poder com apoio de setores civis e empresariais. O novo regime dissolveu garantias democráticas, perseguiu opositores e iniciou um período de repressão sistemática.

2. Ato Institucional nº 5 (AI-5) – 13 de Dezembro de 1968
Considerado o momento mais sombrio da ditadura, o AI-5 deu plenos poderes ao regime para fechar o Congresso Nacional, suspender direitos civis e censurar arbitrariamente a imprensa, o teatro e a música. O Brasil mergulhou no chamado *“período de chumbo”*, com prisões políticas, tortura e assassinatos.

3. Morte de Vladimir Herzog – 25 de Outubro de 1975
A morte do jornalista Vladimir Herzog, torturado nas dependências do DOI-CODI, expôs a brutalidade do regime. A tentativa de encobrir o assassinato como suicídio foi rapidamente desmentida. O caso gerou indignação nacional e internacional, marcando o início da queda simbólica do regime junto à opinião pública.

4. Passeata dos Cem Mil – Junho de 1968
Reação à morte do estudante secundarista Edson Luís, a manifestação reuniu cerca de 100 mil pessoas no centro do Rio de Janeiro. Foi um marco da resistência estudantil e artística à ditadura, com ampla adesão popular. A repressão violenta que se seguiu ajudaria a consolidar medidas como o AI-5 meses depois.

5. Censura e fechamento de jornais (década de 1970)
Jornais e revistas foram alvos constantes da censura militar. O *Pasquim* foi invadido e seus editores presos. O *Estadão* e outros veículos chegaram a deixar espaços em branco ou publicar receitas e poemas no lugar das matérias cortadas pelos censores. A imprensa tornou-se um campo de disputa e criatividade contra a repressão.

6. Criação da Guerrilha do Araguaia (1972–1974)
O PCdoB organizou uma frente guerrilheira no sul do Pará para resistir militarmente ao regime. O Exército reagiu com extrema violência, executando combatentes e camponeses. Até hoje, muitos corpos seguem desaparecidos. O episódio é um dos mais emblemáticos da repressão fora dos grandes centros urbanos.

7. Campanha pela Anistia – Final dos anos 1970
Iniciada por familiares de presos e desaparecidos, a campanha mobilizou amplos setores da sociedade pelo perdão a exilados e perseguidos. Com o lema *“Anistia ampla, geral e irrestrita”*, o movimento ganhou força até resultar na aprovação da Lei da Anistia em 1979 — ainda que com concessões ao regime.

8. Lei da Anistia – 28 de Agosto de 1979
Aprovada como saída política, a lei permitiu o retorno de exilados e libertou presos políticos. Contudo, também garantiu impunidade a torturadores e agentes da repressão. É até hoje alvo de críticas por impedir julgamentos dos crimes cometidos pelo Estado.

9. Diretas Já – 1984
Milhões de brasileiros tomaram as ruas exigindo eleições diretas para presidente. No país inteiro, o movimento uniu artistas, líderes religiosos, políticos de oposição e cidadãos comuns. A emenda que previa eleições diretas não foi aprovada, mas o levante popular acelerou o fim do regime.

10. Eleição de Tancredo Neves – 15 de Janeiro de 1985
Encerrando simbolicamente a ditadura, a vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral representou a ruptura com os militares. Embora ele tenha morrido antes da posse, a presidência de José Sarney deu início ao período de redemocratização e à convocação da nova Constituição de 1988.

Compreender esses momentos é essencial para que os erros do passado não se repitam. O Brasil ainda convive com as consequências da ditadura, seja nos limites institucionais, na violência estatal ou nos debates sobre justiça de transição. Resgatar a memória histórica é um passo fundamental para fortalecer a democracia.
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