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Movimento negro enfrenta divisão entre gerações sobre identidade racial no Brasil

A nova geração de ativistas negros no Brasil desafia a narrativa da mestiçagem, promovendo a "parditude" e excluindo os pardos da negritude.

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O movimento negro no Brasil tem uma história longa, mas atualmente uma nova geração de ativistas, chamada de “neonegros”, está mudando a forma como a identidade racial é discutida. Esses jovens defendem uma visão que exclui os pardos da negritude, enquanto surge o conceito de “parditude”, que busca valorizar a mestiçagem. No passado, o sociólogo Gilberto Freyre promovia a ideia de uma identidade mestiça no Brasil, mas essa visão está perdendo força. Hoje, muitos se identificam como negros, incluindo pretos e pardos, que juntos somam mais de 55% da população, segundo o último censo. Essa mudança cultural é visível nas ruas e nas redes sociais, onde jovens afirmam sua negritude e rejeitam a ideia de serem apenas “morenos”. No entanto, essa nova divisão entre pretos e pardos gera conflitos, com os neonegros negando a negritude dos pardos e os neofreyrianos defendendo a mestiçagem. A situação é complexa, pois os pardos se sentem rejeitados tanto pelos pretos quanto pelos brancos. Essa divisão pode levar a um retrocesso nas conquistas do movimento negro, que trabalhou para unir pretos e pardos em torno de uma identidade comum.

O movimento negro brasileiro enfrenta uma nova dinâmica com a ascensão dos “neonegros”, jovens ativistas que promovem um discurso essencialista. Eles desafiam a narrativa histórica que convida os pardos a se identificarem como negros, enquanto a “parditude” surge para revalidar a mestiçagem.

Historicamente, a mestiçagem foi defendida por intelectuais como Gilberto Freyre, autor de “Casa Grande e Senzala”. No entanto, a apologia à mestiçagem tem perdido força no século 21, com um crescente orgulho racial negro. O último Censo, realizado em 2022, revelou que 55,5% da população brasileira se identifica como negra, somando pretos (10,2%) e pardos (45,3%).

A construção da identidade negra, promovida pelo movimento negro, foi formalizada no Estatuto da Igualdade Racial, de 2010. Essa mudança cultural é visível nas ruas e redes sociais, onde jovens afirmam sua negritude com expressões como “morena não, negra”. Essa nova geração rejeita a morenidade, característica do discurso freyriano, e busca afirmar sua ancestralidade africana.

Conflitos de Identidade

O crescimento do orgulho racial negro também trouxe à tona tensões entre diferentes grupos dentro da comunidade negra. Os neonegros, em sua maioria ativistas virtuais, negam a negritude dos pardos, enquanto os chamados negros retintos criticam relacionamentos inter-raciais, popularizados como “palmitagem”. Essa divisão gera um dilema histórico, onde os pardos se sentem rejeitados tanto por pretos quanto por brancos.

Em resposta, a “parditude” ressurge, defendendo a mestiçagem como uma identidade legítima. Beatriz Bueno, estudante de mestrado da Universidade Federal Fluminense, afirma que a “parditude” busca reconhecimento enquanto mestiços, propondo um avanço no debate racial.

Desafios Futuros

A crescente polarização entre neonegros e defensores da mestiçagem pode desmantelar os avanços conquistados pelas gerações anteriores do movimento negro. A luta pela identidade negra, que acolheu os pardos, corre o risco de retroceder, levando a uma nova era de divisão racial. Sueli Carneiro alerta que, se essa oposição entre pretos e pardos persistir, os pretos poderão se tornar uma minoria em um cenário onde a identidade negra é questionada.

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