Um relatório do governo sueco revelou problemas sérios nas adoções internacionais, como a falta de consentimento dos pais e documentos falsos. O estudo mostrou que muitas crianças foram adotadas sem que seus pais soubessem ou sem que tivessem dado permissão. Além disso, alguns pais não entenderam o que significava consentir para uma adoção internacional. O relatório também apontou que a documentação sobre a origem das crianças estava cheia de erros, como datas de nascimento e informações sobre os pais. A investigação confirmou casos de tráfico de crianças entre as décadas de 1970 e 2000, especialmente em adoções privadas de países como Sri Lanka e Colômbia. A comissão que fez o relatório sugeriu que a Suécia proíba todas as adoções internacionais e peça desculpas públicas às pessoas afetadas. Historicamente, a lei sueca facilitou essas adoções, mas o número delas caiu drasticamente desde os anos 1980.
Um relatório do governo sueco, divulgado nesta segunda-feira, expôs graves irregularidades em adoções internacionais, incluindo a falta de consentimento dos pais e a utilização de documentação falsa. O documento sugere a proibição total dessas adoções e um pedido de desculpas pública.
Desde a década de 1970, a Suécia adotou quase 60 mil crianças de diversos países, como Coreia do Sul, Índia e Colômbia. A relatora especial Anna Singer destacou que muitas crianças foram adotadas sem o consentimento adequado de seus pais, que muitas vezes não compreendiam a gravidade do processo. Além disso, casos de crianças declaradas mortas indevidamente foram identificados.
Deficiências na documentação sueca foram reveladas, com informações falsas sobre datas de nascimento e circunstâncias das adoções. A investigação confirmou uma dúzia de casos de tráfico de crianças, principalmente em adoções privadas no Sri Lanka, Colômbia, Polônia e China.
Durante uma reunião em Estocolmo, a ativista Lisa Gauffin Dahlin afirmou: “Imagine alguém apagando sua história. É uma ferida aberta.” A psicoterapeuta Hanna Wallensteen, adotada na Etiópia, ressaltou a importância de apoiar os adotados, que frequentemente enfrentam a perda de identidade e a falta de informações sobre suas origens.
A comissão de inquérito propôs que o Estado sueco reconheça as violações de direitos humanos ocorridas e que as adoções internacionais sejam interrompidas. Historicamente, a legislação sueca priorizou a facilitação dessas adoções, com organizações privadas atuando como intermediárias. Desde a década de 1980, o número de adoções internacionais na Suécia caiu drasticamente, de mais de 900 crianças em 1985 para apenas 14 em 2025.
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