Um relatório da Polícia Federal mostra que a “Abin Paralela” monitorou líderes de caminhoneiros durante o governo Bolsonaro. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2021, foram feitas 1.921 consultas à empresa Busnello & Dahmer e 1.720 ao caminhoneiro Ubirajara Nobre Carlos, conhecido como Bira Nobre. A Abin Paralela usou um sistema chamado FirstMile para vigiar esses grupos, especialmente porque Bira Nobre é ligado à Associação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos de Carga e tentou se candidatar a vereador em 2024. A PF acredita que esse monitoramento estava relacionado a possíveis greves e protestos, lembrando a greve de caminhoneiros de 2018 que afetou o governo anterior. Esses dados levantam preocupações sobre a vigilância de grupos sociais e o uso de recursos do governo para monitorar protestos legítimos.
Um relatório inédito da Polícia Federal (PF) revela que a chamada “Abin Paralela” monitorou intensamente lideranças de caminhoneiros durante a era Bolsonaro. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2021, foram registradas 1.921 consultas à empresa Busnello & Dahmer e 1.720 ao caminhoneiro Ubirajara Nobre Carlos, conhecido como Bira Nobre.
Monitoramento da Abin Paralela
A estrutura da “Abin Paralela” foi utilizada para vigiar grupos de caminhoneiros e dirigentes do setor, utilizando o sistema FirstMile. A empresa Busnello & Dahmer, localizada em Ijuí (RS), foi a mais consultada, com um número expressivo de acessos. Carlos Alberto Dahmer, um dos sócios, é dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) e organizou protestos contra o governo.
Bira Nobre, que liderou a lista de pessoas físicas monitoradas, é associado à Associação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos de Carga. Ele também tentou uma vaga na Câmara de Vereadores de Cariacica (ES) em 2024, pelo PL de Bolsonaro, mas não obteve sucesso.
Motivações do Monitoramento
A PF acredita que o elevado número de consultas se relaciona a possíveis greves e protestos, especialmente considerando a greve de caminhoneiros de 2018, que impactou o governo de Michel Temer. O objetivo da “Abin Paralela” era identificar vínculos políticos e a mobilização de lideranças do setor, refletindo a preocupação do governo com a organização da classe.
Esses dados revelam um panorama preocupante sobre a vigilância de grupos sociais e a utilização de recursos estatais para monitorar atividades legítimas de protesto e reivindicação.
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