- O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, aborda a transição política no Brasil entre 2019 e 2023, com foco na posse de Jair Bolsonaro e nas tentativas de golpe.
- O filme, que estreia na Netflix em 14 de outubro, é criticado por não apresentar um ponto de vista autoral claro, devido à colaboração de 17 roteiristas.
- A figura do pastor Silas Malafaia se destaca no documentário, ofuscando a análise dos presidentes e gerando ambiguidade na narrativa.
- A relação entre Malafaia e Bolsonaro é mostrada como uma conveniência mútua, desviando o foco da crítica política.
- O filme termina com imagens do dia 8 de janeiro, refletindo a crise democrática no Brasil, mas deixa o espectador com uma sensação de ambiguidade.
O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, explora a transição política no Brasil entre 2019 e 2023, focando na posse de Jair Bolsonaro e nas tentativas de golpe. O filme, que está em cartaz nos cinemas e chega à Netflix em 14 de outubro, é criticado por sua falta de um ponto de vista autoral claro, resultado da colaboração de 17 roteiristas.
A obra se desenrola entre os dois janeiros, de 2019 e 2023, e, ao final, apresenta uma lista extensa de colaboradores, o que gera a impressão de que “Apocalipse nos Trópicos” carece de uma visão coesa. A diretora, conhecida por seus trabalhos anteriores, como “Elena” e “Democracia em Vertigem”, parece ausente em sua própria narrativa. A figura de Bolsonaro aparece em momentos impactantes, mas o filme não aprofunda sua análise.
A Influência de Silas Malafaia
Um dos pontos mais controversos do documentário é a presença do pastor Silas Malafaia, que se destaca mais que os próprios presidentes. Sua figura, marcada por uma retórica estridente e caricata, ofusca a análise política e traz uma ambiguidade à narrativa. Malafaia, que já apoiou diversos políticos, é retratado como um personagem menor, mas que ocupa um espaço desproporcional no filme.
A relação entre Malafaia e Bolsonaro é apresentada como uma conveniência mútua, onde ambos se beneficiam politicamente. O pastor, com sua ostentação e bravatas, acaba por desviar o foco da crítica política que o documentário poderia oferecer. A diretora, que se diz distante da religião, acaba por inserir elementos místicos em sua obra, o que gera confusão na análise política.
Ambiguidade e Reflexões
O filme oscila entre uma análise racional da política e visões mais místicas, refletindo a complexidade do cenário brasileiro. Em uma sequência final, imagens do 8 de janeiro são juxtapostas, revelando uma crítica à situação atual. A obra, ao tentar abordar a crise democrática, acaba por deixar o espectador com uma sensação de ambiguidade e perplexidade.
“Apocalipse nos Trópicos” se propõe a ser uma reflexão sobre a política brasileira, mas a falta de um ponto de vista claro e a predominância de figuras como Malafaia podem comprometer sua mensagem. A obra, portanto, se apresenta como um retrato multifacetado, mas que carece de profundidade em sua análise.
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