- A Polícia Federal deflagrou a operação Underhand em oito de outubro para investigar desvio de emendas parlamentares no Ceará.
- O foco da operação é o deputado Júnior Mano (PSB-CE), com buscas em seu gabinete e residência.
- A investigação apura a cobrança de taxas de retorno de até 12% por prefeitos e manipulação de licitações para financiar campanhas eleitorais.
- Documentos apreendidos indicam que o grupo usava transferências da União para contratos superfaturados, com parte dos valores indo para Mano.
- Outros parlamentares, como José Guimarães (PT-CE) e Eunício Oliveira (MDB-CE), foram mencionados, mas não são alvos diretos da operação.
A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Underhand nesta terça-feira, 8 de outubro, para investigar um esquema de desvio de emendas parlamentares no Ceará, com foco no deputado Júnior Mano (PSB-CE). A ação incluiu buscas em seu gabinete na Câmara dos Deputados e em sua residência em Brasília, além de outros locais no Ceará.
A investigação apura a cobrança de taxas de retorno de até 12% por prefeitos para liberar recursos federais, além de manipulação de licitações. Júnior Mano é acusado de articular repasses que beneficiariam campanhas eleitorais de aliados nas eleições de 2024. Embora outros parlamentares, como José Guimarães (PT-CE) e Eunício Oliveira (MDB-CE), tenham sido mencionados, eles não são alvos diretos da operação.
Detalhes da Operação
Os documentos apreendidos indicam que o grupo utilizava transferências voluntárias da União para financiar contratos superfaturados, com parte dos valores sendo repassada a Mano. Conversas interceptadas revelaram que Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró, coordenava o esquema, mencionando os outros deputados como responsáveis por emendas.
A PF investiga se as emendas destinadas a cidades cearenses foram utilizadas para financiar licitações fraudulentas. A prática é caracterizada como uma “institucionalização da corrupção”. Uma ex-prefeita de Canindé relatou ter se recusado a devolver 10% de emendas atribuídas a Guimarães, o que teria motivado seu afastamento do grupo de Mano.
Reações dos Parlamentares
Os deputados mencionados negam irregularidades. A assessoria de Eunício Oliveira destacou a transparência de suas ações, enquanto José Guimarães afirmou que não destinou emendas para os municípios citados. Júnior Mano, por sua vez, declarou confiar na Justiça e espera que sua conduta seja reconhecida ao final da investigação.
A PF solicitou a abertura de um novo inquérito para apurar o envolvimento dos parlamentares mencionados, que possuem foro privilegiado. O objetivo é esclarecer se houve participação direta ou conhecimento prévio sobre o esquema de corrupção que envolve figuras políticas de destaque no Ceará.
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