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Votação na Espanha dificulta busca por restos de vítimas da ditadura franquista

Direita pode revogar lei que facilita exumações de vítimas da Guerra Civil Espanhola, ameaçando identificação de 100 mil desaparecidos.

Foto de José Raya Hurtado, que teria sido executado durante a Guerra Civil da Espanha. (Foto: Samuel Aranda/The New York Times)
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  • A nova lei de memória na Espanha, que facilita a exumação de vítimas da Guerra Civil (1936-1939), pode ser revogada com a aproximação das eleições gerais.
  • O Partido Popular, que tem raízes franquistas, já indicou a intenção de reverter essa legislação.
  • Cerca de 100 mil pessoas estão enterradas em valas comuns, e famílias temem que seus entes queridos nunca sejam encontrados.
  • A polarização política sobre o legado de Franco reflete divisões na sociedade espanhola, com alguns o considerando um estabilizador econômico e outros responsabilizando-o por repressão.
  • A luta pela memória e identificação das vítimas continua, enquanto o futuro das exumações permanece incerto diante do aumento da influência da direita.

Legado da Guerra Civil Espanhola em Risco com Avanço da Direita

Com as eleições gerais se aproximando, o futuro da nova lei de memória na Espanha, que facilita a exumação de vítimas da Guerra Civil (1936-1939), está ameaçado. A expectativa é que a direita, liderada pelo Partido Popular, revogue essa legislação, interrompendo os esforços de identificação de cerca de 100 mil pessoas enterradas em valas comuns.

Ángela Raya Fernández, bibliotecária de 62 anos, expressou sua preocupação ao saber que seu avô, executado durante a guerra, pode nunca ser encontrado. “Esperamos há muito tempo que alguém o encontrasse e lhe desse um enterro digno”, afirmou. O Partido Popular, que possui raízes franquistas, já sinalizou a intenção de reverter a lei aprovada pelo governo socialista de Pedro Sánchez, que visava acelerar as exumações.

A polarização política em torno do legado de Franco reflete as divisões profundas na sociedade espanhola. Enquanto alguns veem Franco como um estabilizador econômico, muitos outros o consideram responsável por repressão e execuções em massa. A lei de memória histórica, aprovada em 2007, foi um primeiro passo, mas sua implementação foi interrompida quando o Partido Popular assumiu o poder em 2011.

Nos últimos anos, esforços para exumar corpos ganharam força, especialmente em locais como Víznar, onde arqueólogos trabalham para identificar as vítimas. Contudo, a possibilidade de uma aliança entre o Partido Popular e o partido de extrema direita Vox, que se opõe a iniciativas de memória histórica, intensifica os temores das famílias. “Seria uma catástrofe”, disse Raya, referindo-se ao impacto que uma possível revogação da lei teria.

As famílias das vítimas estão em alerta, observando as coalizões de governo locais que frequentemente incluem planos para restringir projetos de memória. Matías Alonso Blasco, representante de famílias na região de Valência, destacou a importância do governo central como um bastião para a continuidade das exumações. “Se ele cair, está tudo acabado”, afirmou.

A luta pela memória e pela justiça continua, enquanto o futuro das exumações e a identificação das vítimas da Guerra Civil permanecem incertos diante da crescente influência da direita na política espanhola.

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