Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Palavras que suavizam a culpa: como os parapetos lingüísticos atuam nas responsabilidades

Terroristas arrependidos revelam uso de linguagem evasiva em ataques, ocultando a gravidade das ações e desumanizando as vítimas.

A banda terrorista ETA atentou contra a casa cuartel da Guarda Civil de Zaragoza em 11 de dezembro de 1987. Assassinaram 11 pessoas, entre elas cinco meninas, e provocaram 88 feridos (Foto: ANTONIO ESPEJO)
0:00
Carregando...
0:00
  • Dois terroristas arrependidos prestaram depoimento ao juiz Manuel García-Castellón.
  • Durante o julgamento, mencionaram ordens para atacar “casas cuartel” da Guarda Civil.
  • O termo minimiza a gravidade dos atentados e oculta as vítimas, incluindo adultos e crianças.
  • Esses ataques visavam lares, não apenas estruturas vazias, e a expressão serve para distanciar a responsabilidade.
  • A linguagem evasiva também é utilizada em contextos como os bombardeios em Gaza, desumanizando as vítimas civis.

Recentemente, dois terroristas arrependidos prestaram depoimento ao juiz Manuel García-Castellón, revelando a continuidade do uso de linguagem evasiva ao descrever suas ações. Durante o julgamento, mencionaram ordens para atacar “casas cuartel” da Guarda Civil, um termo que minimiza a gravidade dos atentados e oculta as vítimas reais, incluindo adultos e crianças.

Esses ataques, como os ocorridos em Santa Pola em 2002 e Zaragoza em 1987, não visavam apenas estruturas vazias, mas sim lares onde viviam famílias. A expressão “casas cuartel” serve como um parapeto que distancia a responsabilidade das consequências trágicas, silenciando as histórias das pessoas que morreram. De forma semelhante, Israel descreve seus bombardeios em Gaza como ataques a “objetivos”, uma terminologia que também desumaniza as vítimas, que muitas vezes são civis desarmados.

Além disso, a linguagem utilizada em contextos diversos, como acidentes e estatísticas, também contribui para essa desconexão. Termos como “fallo mecânico” ou “índice de criminalidade” afastam a atenção das realidades humanas por trás dos números. Essa maneira de comunicar transforma problemas sociais em questões técnicas, dificultando a empatia e a compreensão das consequências reais.

Essas expressões, que se tornaram comuns, não apenas ocultam a gravidade das situações, mas também diluem a responsabilidade dos que causam o sofrimento. A análise da linguagem utilizada em contextos de violência e tragédias revela um padrão preocupante de desumanização e evasão, que merece ser discutido e confrontado.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais