- A Independent Policing Oversight Authority (Ipoa) do Quênia divulgou um relatório que aponta o uso excessivo da força pela polícia durante protestos, resultando em 65 mortes.
- As manifestações ocorreram nas últimas seis semanas, motivadas por brutalidade policial e descontentamento com políticas do governo.
- O relatório menciona que a maioria das mortes está ligada a ações policiais e destaca a presença de indivíduos que comprometeram a natureza pacífica dos protestos.
- O presidente da República, William Ruto, ordenou que a polícia atirasse nas pernas de manifestantes que atacassem propriedades, enquanto o governo nega abusos.
- Organizações de direitos humanos criticaram a resposta do governo, que inclui 342 feridos entre civis e 171 entre policiais.
A Independent Policing Oversight Authority (Ipoa) do Quênia divulgou um relatório que acusa a polícia de uso excessivo da força durante uma série de protestos que resultaram em 65 mortes. As manifestações, que ocorreram nas últimas seis semanas, foram motivadas por brutalidade policial e descontentamento com políticas do governo.
O documento destaca que a maioria das mortes está ligada a ações policiais e menciona a presença de “goons”, indivíduos que infiltraram os protestos e comprometeram a natureza pacífica das manifestações. O primeiro protesto significativo ocorreu em 12 de junho, após a morte do professor e blogueiro Albert Ojwang em custódia policial. Desde então, três policiais foram acusados de homicídio.
Em 17 de junho, um segundo protesto resultou na morte do vendedor de rua Boniface Kariuki, atingido por um tiro à queima-roupa. Um policial também foi responsabilizado por esse caso. O relatório da Ipoa indica que, em 23 de junho, 23 pessoas morreram em várias partes do país, enquanto o dia 7 de julho foi marcado pelo maior número de fatalidades, com 41 mortos.
Resposta do Governo
Após os eventos de 7 de julho, o presidente William Ruto ordenou que a polícia atirasse nas pernas de manifestantes que atacassem propriedades, garantindo que não fossem mortos. Ele afirmou que “qualquer um pego queimando propriedade deve ser incapacitado, mas não morto”. O ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, negou o uso de força excessiva, caracterizando os protestos como uma tentativa de terrorismo disfarçado de dissidência.
Grupos de direitos humanos criticaram a resposta do governo, acusando as autoridades de permitir e, em alguns casos, incentivar o uso de força letal contra os manifestantes. O relatório da Ipoa também documentou 342 feridos entre civis e 171 entre policiais, além de casos de saques e vandalismo.
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