- Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, com foco no padre Alfonso Pedrajas.
- Uma nova investigação na Bolívia revelou até doze casos de abusos sexuais por jesuitas, com documentação que comprova o encobrimento por altos cargos da ordem, como Ramon Alaix e Marcos Recolons.
- A investigação judicial contra Alaix e Recolons começou após denúncias relacionadas a Pedrajas e expôs oito casos inéditos de abusos a menores.
- Documentos apreendidos pela polícia boliviana mostram que a hierarquia da Companhia de Jesus recebeu denúncias internas e optou por ocultá-las.
- O julgamento de Alaix e Recolons recomeça nesta sexta-feira, após adiamentos, e a falta de um acordo com o Vaticano permite que as autoridades acessem os arquivos da ordem.
Investigação sobre Pederastia na Igreja: Novos Casos Revelados na Bolívia
Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, destacando o encobrimento de abusos, especialmente o do padre Alfonso Pedrajas. Recentemente, uma investigação na Bolívia revelou até doze casos de abusos sexuais cometidos por jesuitas, com documentação que comprova o encobrimento por altos cargos da ordem, como Ramon Alaix e Marcos Recolons.
A investigação judicial contra Alaix e Recolons, iniciada após denúncias de encobrimento de Pedrajas, expôs oito casos inéditos de abusos sexuais a menores. Documentos apreendidos pela polícia boliviana em abril de 2023, durante buscas nas sedes da Companhia de Jesus em La Paz e Cochabamba, revelam que a hierarquia da ordem recebeu denúncias internas e optou por ocultá-las, transferir os acusados ou silenciar as vítimas.
Documentos Reveladores
Os arquivos apreendidos contêm mais de 4.000 páginas que demonstram o conhecimento da Companhia sobre os abusos ao longo das décadas. Além de casos de pederastia, os documentos abordam questões como relações sexuais de jesuitas com adultas e problemas de alcoolismo. A documentação inclui comunicações entre os superiores da ordem e o então líder da Companhia de Jesus em Roma, Peter Hans Kolvenbach, que ocupou o cargo de 1983 a 2008.
Na Bolívia, a falta de um acordo com o Vaticano permite que as autoridades acessem esses arquivos, que estão sob a custódia do Juzgado de Sentencia Penal Anticorrupción. O julgamento de Alaix e Recolons recomeça nesta sexta-feira, com a oitiva de testemunhas, após várias adiamentos devido à idade avançada dos acusados.
Impacto das Revelações
O escândalo de pederastia clerical na Bolívia ganhou força após a publicação do diário de Pedrajas, que admitiu ter abusado de 85 crianças em um colégio em Cochabamba. Desde então, uma dezena de vítimas denunciou os abusos, que ocorreram entre 1972 e 2000. A Fiscalia Departamental de Cochabamba imputou Alaix e Recolons por encobrimento, mas suas declarações contradizem as evidências documentais.
Os documentos também revelam que, em 2009, um ex-aluno denunciou Pedrajas a um superior, pedindo uma investigação, mas nada foi feito. Além disso, casos de outros jesuitas, como Pancho Flores, acusado de agressão sexual, foram registrados, mostrando um padrão de encobrimento e proteção por parte da hierarquia eclesiástica.
A investigação continua a expor a complexa rede de abusos e encobrimentos dentro da Igreja, levantando questões sobre a responsabilidade e a transparência das instituições religiosas.
Entre na conversa da comunidade