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Investigação revela esquema de encobrimento de pederastia entre jesuitas na Bolívia

Investigação revela doze casos de abusos sexuais por jesuitas na Bolívia, com evidências de encobrimento por líderes da ordem.

Ramón Alaix, exprovincial dos jesuitas bolivianos, sai de uma audiência em 17 de abril em Cochabamba, acusado de encobrir um caso de pederastia. (Foto: Jorge Abrego/EFE)
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  • Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, com foco no padre Alfonso Pedrajas.
  • Uma nova investigação na Bolívia revelou até doze casos de abusos sexuais por jesuitas, com documentação que comprova o encobrimento por altos cargos da ordem, como Ramon Alaix e Marcos Recolons.
  • A investigação judicial contra Alaix e Recolons começou após denúncias relacionadas a Pedrajas e expôs oito casos inéditos de abusos a menores.
  • Documentos apreendidos pela polícia boliviana mostram que a hierarquia da Companhia de Jesus recebeu denúncias internas e optou por ocultá-las.
  • O julgamento de Alaix e Recolons recomeça nesta sexta-feira, após adiamentos, e a falta de um acordo com o Vaticano permite que as autoridades acessem os arquivos da ordem.

Investigação sobre Pederastia na Igreja: Novos Casos Revelados na Bolívia

Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, destacando o encobrimento de abusos, especialmente o do padre Alfonso Pedrajas. Recentemente, uma investigação na Bolívia revelou até doze casos de abusos sexuais cometidos por jesuitas, com documentação que comprova o encobrimento por altos cargos da ordem, como Ramon Alaix e Marcos Recolons.

A investigação judicial contra Alaix e Recolons, iniciada após denúncias de encobrimento de Pedrajas, expôs oito casos inéditos de abusos sexuais a menores. Documentos apreendidos pela polícia boliviana em abril de 2023, durante buscas nas sedes da Companhia de Jesus em La Paz e Cochabamba, revelam que a hierarquia da ordem recebeu denúncias internas e optou por ocultá-las, transferir os acusados ou silenciar as vítimas.

Documentos Reveladores

Os arquivos apreendidos contêm mais de 4.000 páginas que demonstram o conhecimento da Companhia sobre os abusos ao longo das décadas. Além de casos de pederastia, os documentos abordam questões como relações sexuais de jesuitas com adultas e problemas de alcoolismo. A documentação inclui comunicações entre os superiores da ordem e o então líder da Companhia de Jesus em Roma, Peter Hans Kolvenbach, que ocupou o cargo de 1983 a 2008.

Na Bolívia, a falta de um acordo com o Vaticano permite que as autoridades acessem esses arquivos, que estão sob a custódia do Juzgado de Sentencia Penal Anticorrupción. O julgamento de Alaix e Recolons recomeça nesta sexta-feira, com a oitiva de testemunhas, após várias adiamentos devido à idade avançada dos acusados.

Impacto das Revelações

O escândalo de pederastia clerical na Bolívia ganhou força após a publicação do diário de Pedrajas, que admitiu ter abusado de 85 crianças em um colégio em Cochabamba. Desde então, uma dezena de vítimas denunciou os abusos, que ocorreram entre 1972 e 2000. A Fiscalia Departamental de Cochabamba imputou Alaix e Recolons por encobrimento, mas suas declarações contradizem as evidências documentais.

Os documentos também revelam que, em 2009, um ex-aluno denunciou Pedrajas a um superior, pedindo uma investigação, mas nada foi feito. Além disso, casos de outros jesuitas, como Pancho Flores, acusado de agressão sexual, foram registrados, mostrando um padrão de encobrimento e proteção por parte da hierarquia eclesiástica.

A investigação continua a expor a complexa rede de abusos e encobrimentos dentro da Igreja, levantando questões sobre a responsabilidade e a transparência das instituições religiosas.

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