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Petro e Maduro assinam acordo binacional ignorando moradores da fronteira colombo-venezuelana

Colômbia e Venezuela firmam acordo econômico, mas especialistas alertam sobre a exclusão da sociedade civil e riscos de corrupção.

Coromoto Godoy, ministra de Comércio Exterior da Venezuela; Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela; Diana Morales, ministra de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia; e Alfredo Saade, chefe de Gabinete do Governo da Colômbia, durante a assinatura do memorando de entendimento entre Colômbia e Venezuela, em Caracas (Venezuela), no dia 17 de julho de 2025. (Foto: Presidência de Colômbia)
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  • Colômbia e Venezuela assinaram um memorando de entendimento em julho para criar uma zona econômica compartilhada na fronteira.
  • O acordo, celebrado em Caracas, abrange os departamentos colombianos de Norte de Santander e La Guajira, e os estados venezuelanos de Táchira e Zulia.
  • Analistas criticam a falta de envolvimento da sociedade civil, o que pode comprometer a legitimidade do acordo.
  • O governo colombiano defende o memorando como um passo positivo, destacando um aumento de 25,3% nas exportações para a Venezuela nos primeiros cinco meses de 2024.
  • A ausência de diálogo com a população local e a exclusão de questões de segurança geram incertezas sobre a eficácia do acordo.

Colômbia e Venezuela assinaram um memorando de entendimento em julho para criar uma zona econômica compartilhada na fronteira. O acordo, celebrado em Caracas, visa promover a paz e o desenvolvimento na região, que abrange os departamentos colombianos de Norte de Santander e La Guajira, além dos estados venezuelanos de Táchira e Zulia. No entanto, analistas criticam a falta de envolvimento da sociedade civil no processo.

O economista Mario Zambrano destaca que o plano ignora a participação de empresários e organizações sociais locais, o que pode comprometer sua legitimidade. A internacionalista Sandra Borda reforça essa crítica, apontando que a sociedade civil na fronteira é organizada e deveria ser incluída nas discussões. A ausência desses grupos levanta preocupações sobre a eficácia do acordo.

Outro ponto de discórdia é a disparidade entre os sistemas políticos dos dois países. Borda observa que autocracias tendem a não cumprir acordos internacionais, o que gera desconfiança sobre a implementação do memorando. A falta de mecanismos de transparência e controle cidadão no regime venezuelano pode agravar a corrupção, especialmente em projetos que envolvem investimentos estrangeiros.

Apesar das críticas, o governo colombiano defende o memorando como um passo positivo nas relações econômicas. O ex-ministro Germán Umaña afirma que o acordo, embora não vinculante, é um gesto que pode fortalecer a cooperação entre os países. As exportações colombianas para a Venezuela aumentaram 25,3% nos primeiros cinco meses de 2024, totalizando cerca de 430,9 milhões de dólares.

Entretanto, a falta de diálogo com a população local e a exclusão de questões de segurança na discussão do acordo geram incertezas. O diretor da ANDI, Francisco Unda, critica a abordagem do governo colombiano, ressaltando a necessidade de segurança jurídica na região. A expectativa é que o governo convoque a sociedade civil para participar de grupos de trabalho, mas a urgência de um enfoque transfronteiriço é evidente.

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