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Trump transforma América Latina em ‘quintal’ com aumento de tarifas comerciais

EUA reativam a Doutrina Monroe para justificar intervenções na Venezuela e no Brasil, intensificando a influência na América Latina

O ex-presidente americano James Monroe (1817 a 1825) e o atual, Donald Trump — Foto: Arquivo
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  • A Doutrina Monroe, proclamada em 1823, afirma que as Américas não podem ser colonizadas por potências europeias.
  • A administração Trump utilizou essa doutrina para justificar intervenções na Venezuela e no Brasil.
  • Em 2019, o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, destacou a importância da Doutrina para a democracia no hemisfério.
  • O governo americano impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ligando tarifas sobre produtos brasileiros a questões políticas internas.
  • Essas ações refletem uma continuidade da política expansionista dos EUA na América Latina, em um cenário de crescente influência da China na região.

A Doutrina Monroe, proclamada em 1823 pelo presidente James Monroe, estabeleceu que as Américas não poderiam ser colonizadas por potências europeias. Essa política externa dos EUA visava proteger a soberania dos países latino-americanos, que buscavam se libertar do domínio europeu.

Recentemente, a administração Trump recorreu à Doutrina Monroe para justificar intervenções na Venezuela e no Brasil, marcando uma nova fase de intromissão americana na política da América Latina. Em 2019, o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, afirmou que a Doutrina era essencial para manter a democracia no hemisfério, referindo-se diretamente ao regime de Nicolás Maduro.

A história da Doutrina Monroe é complexa. Inicialmente, muitos países latino-americanos viam a ideia de “América para os americanos” como um apoio contra a re-colonização europeia. No entanto, ao longo do tempo, essa política se transformou em uma justificativa para intervenções militares e políticas, com os EUA atuando em pelo menos 41 ocasiões na região entre 1898 e 1994.

Intervenções Recentes

A administração Trump intensificou essa abordagem ao associar tarifas sobre produtos brasileiros a questões políticas internas, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o governo americano impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, utilizando a Lei Magnitsky como um instrumento de pressão.

Essas ações refletem uma continuidade da política expansionista que começou no século XIX, quando os EUA se viam como a principal potência militar e econômica do continente. Historicamente, a Doutrina Monroe foi usada para justificar intervenções que, segundo especialistas, muitas vezes tinham motivações econômicas e não apenas de segurança.

A atual aplicação da Doutrina Monroe, sob a administração Trump, sugere uma tentativa de reafirmar a influência americana na América Latina, em um contexto onde a China também busca expandir sua presença na região. Essa dinâmica levanta questões sobre o futuro das relações entre os EUA e os países latino-americanos, que continuam a lutar por autonomia e soberania.

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