- Os prédios Anchieta, Barth e Nóbrega, na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, geram conflitos entre moradores e a Santa Casa de Misericórdia após a venda por R$ 75 milhões.
- Moradores alegam ter sido vítimas de um golpe e enfrentam despejos, com prazos até 17 de setembro para desocupar os imóveis.
- Faixas expostas nos prédios expressam a indignação dos residentes, que afirmam ter adquirido suas posses de forma legítima.
- O advogado Herbert Alencar questiona a competência de um juiz trabalhista para decidir sobre os despejos em um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
- Os edifícios enfrentam problemas de manutenção, e a Santa Casa nega a venda das posses, alegando que os imóveis foram invadidos.
Os prédios Anchieta, Barth e Nóbrega, localizados na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, estão no centro de um conflito entre moradores e a Santa Casa de Misericórdia. Após a venda dos imóveis por R$ 75 milhões a um consórcio, os residentes alegam terem sido vítimas de um golpe e enfrentam despejos.
Uma faixa exposta no Edifício Anchieta, tombado pelo município, expressa a indignação dos moradores: “Abaixo o terrorismo da Santa Casa. Somos moradores, compramos e pagamos nossos apartamentos”. A venda dos imóveis, realizada por intermediários da Santa Casa, é contestada pelos atuais ocupantes, que afirmam ter adquirido a posse de forma legítima.
Os moradores, que assinaram um acordo para pagar R$ 2.700 mensais, incluindo aluguel e condomínio, têm até 17 de setembro para desocupar os imóveis. No entanto, muitos aguardam decisões judiciais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, oficiais de Justiça, acompanhados de policiais, intimaram os moradores a deixarem os apartamentos, lacrando os que foram desocupados.
Situação dos Moradores
Entre os afetados, Adriano Cornélio, que comprou um apartamento por R$ 160 mil, e Angélica Benevides, que pagou R$ 60 mil, relatam dificuldades financeiras e emocionais. Angélica, que se mudou em maio de 2022, voltou para sua antiga comunidade após não conseguir arcar com os custos do acordo. Outros moradores, como Aline Mota, tentam resistir ao despejo, afirmando que não são invasores e que investiram em reformas nos imóveis.
O advogado Herbert Alencar está à frente de um mandado de segurança no STJ, questionando a competência de um juiz trabalhista para decidir sobre os despejos. Enquanto isso, a Santa Casa nega a venda das posses e afirma que os imóveis foram invadidos, lamentando que pessoas tenham sido enganadas.
Condições dos Prédios
Os três edifícios, conhecidos como os “trigêmeos do Flamengo”, enfrentam problemas de manutenção, como infiltrações e falta de água. Apesar de os moradores pagarem mensalidades, as condições das áreas comuns são precárias. O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade destaca que o Edifício Anchieta é tombado, enquanto Barth e Nóbrega estão em área de proteção.
A Performance Empreendimentos e o Banco BTG, compradores dos imóveis, não comentaram sobre a situação. A Santa Casa, por sua vez, menciona uma crise financeira desde 2013 e afirma que a gestão anterior permitiu o desvio de bens. A complexidade do caso continua a gerar incertezas para os moradores, que lutam para garantir seus direitos.
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