- A Igreja da Inglaterra lançou o vídeo “Christmas Isn’t Cancelled” com mais de vinte vozes para enfatizar inclusão e a ideia de que o Natal pertence a todos.
- Líderes da Cúria criticam a apropriação religiosa por extremistas e alertam contra o uso de símbolos cristãos para promover visões anti-migração em evento de Tommy Robinson.
- Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury, alertou sobre a potencial “armadilha” do uso político da religião e pediu clareza de que a mensagem cristã é de compaixão e acolhimento.
- Quatro bispos da diocese de Southwark emitiram nota contrária à apropriação da fé para justificar racismo e discurso anti-migração, defendendo um Reino Unido mais unido.
- Foram organizados eventos alternativos para sábado, incluindo serviços de culto e contraprotestos; o músico Billy Bragg participará de uma resposta ao nacionalismo cristão.
A Igreja da Inglaterra divulgou um vídeo em resposta a um evento de canções de Natal promovido por um ativista de extrema-direita. O material reúne mais de 20 vozes, desde o arcebispo de York até estudantes, em apoio aos valores de inclusão e hospitalidade. A divulgação ocorreu após críticas aos usos político-religiosos do cristianismo.
O foco central é afastar a ideia de que o Natal pertence a um grupo específico. A igreja afirma que o Natal é para todos e que todos são bem-vindos para celebrar. A mensagem busca conter a ideia de que símbolos cristãos seriam usados para fins anti-imigrantes.
Reação dos líderes da igreja
O ex-arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, alertou sobre a possível weaponização de eventos como o anunciado para sábado. Ele ressaltou a necessidade de uma comunicação clara de que a mensagem cristã é de compaixão e acolhimento.
Arun Arora, bispo de Kirkstall e co-líder na justiça racial, disse que o cristianismo vem sendo usado como bandeira de conveniência por uma visão nacionalista. Ele afirmou que cooptar o cristianismo para agendas políticas deve ser visto com desconfiança.
Anderson Jeremiah, bispo de Edmonton, afirmou ter encaminhado cartas a paróquias de Londres para promover congregações diversas, frente a discursos que associam identidade britânica a uma suposta identidade cristã exclusiva.
Diocese de Southwark divulgou uma nota de que a cooptar a fé para justificar racismo ou anti-imigração é inaceitável. O texto convoca cristãos a trabalharem pela construção de um Reino Unido mais unido, com valores de amor e compaixão.
Contexto e repercussões
A reportagem também aponta que o movimento de Robinson tem sido acompanhado de perto por especialistas. O teólogo Krish Kandiah afirmou que os princípios dele não representam o espírito do Natal nem o ensinamento bíblico de hospitalidade.
A Igreja ressalta que migrantes contribuíram para manter e renovar comunidades religiosas no país, segundo relatos citados por líderes londrinos. A mobilização de opositores ao que classificam como nationalism religioso continua com eventos alternativos de Natal.
Eventos paralelos e cobertura
Além do vídeo, foram organizadas ações concorrentes para o sábado, incluindo sessões de culto e uma contra-manifestação com o slogan Don’t let the far right divide us at Christmas. O músico Billy Bragg participará de uma canção criada em resposta ao nacionalismo cristão.
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