- O Chile vai ao segundo turno entre José Antonio Kast, conservador defensor de expulsar migrantes, e Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho e candidata de uma frente de esquerda.
- Pela primeira vez em mais de uma década, o voto é obrigatório, o que pode alterar o perfil do eleitorado.
- A campanha de Kast foca em políticas de “mão dura” contra migrantes, incluindo centros de detenção, muro de fronteira, cercas elevadas e maior presença militar.
- Jara trata a segurança como prioridade, propondo cinco novas prisões e expulsão de migrantes condenados por tráfico, além de registro biométrico de migrantes.
- Embora Kast seja apontado como favorito, o cenário é incerto com o voto obrigatório e o desempenho de eleitores de Parisi, que não o apoiaram, ainda imprevisível.
O Chile realiza no próximo domingo o segundo turno da eleição presidencial. O pleito reúne Kast, candidato conservador que propõe endurecer a política migratória, e Jara, ex-ministra do Trabalho que representa a esquerda unificada. A participação é obrigatória, o que pode alterar o perfil do eleitorado. O resultado definirá o próximo presidente pelo período de quatro anos.
Na primeira rodada, Kast ficou atrás de Jara entre as duas candidaturas, mas somou a maioria com aliados de direita. Kast defende expulsar dezenas de milhares de migrantes irregulares. Jara liderou o grupo de esquerda, que pediu unificação para enfrentar a direita. A obrigatoriedade do voto é uma novidade que pode mexer no diálogo entre eleitores de diferentes perfil.
Pesquisas indicam incerteza sobre o apoio de eleitores de Franco Parisi, que ficou em terceiro com cerca de 20% dos votos e não endossou Kast no segundo turno. Analistas destacam que o eleitorado de Parisi pode se dividir entre votos úteis, nulos ou abstenções, influenciando o resultado final.
Contexto e cenário eleitoral
Especialistas destacam que a mudança na participação pode favorecer a direita por atrair eleitores desconfiados da política. A migração é tema central na campanha de Kast, que propõe operações de detenção e construção de estruturas para deter migrantes, com foco em regiões fronteiriças.
Analistas ressaltam que o crescimento do contingente migratório no Chile, com cerca de 700 mil venezuelanos entre a última década, alimenta temores de criminalidade associada a redes organizadas. Contudo, dados oficiais indicam que o Chile continua entre os países com baixa taxa de homicídios na região.
Propostas e debate
Durante o debate, Kast reiterou a ideia de medidas rigorosas contra migrantes e defendeu padrões de segurança mais rígidos. Jara afirmou que a segurança é prioridade, apresentando proposta de construção de cinco novas prisões e políticas de expulsão para migrantes condenados por tráfico.
Questionamentos surgiram sobre porcentuais exagerados mencionados por Kast em debates, como afirmação de mortes anuais que não correspondem à realidade. Procuradores e especialistas lembram que o Chile registra cerca de 1.200 homicídios por ano, posição que o manteria entre os países mais seguros da região.
Mesmo sem apoio explícito de parte da base de Parisi, analistas destacam que o eleitorado pode reagrupar-se de maneiras imprevisíveis à medida que o segundo turno se aproxima. A expectativa é por mudanças no comportamento de voto, com possível impacto na votação obrigatória.
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