- Governo fechou 2025 pagando R$ 31,5 bilhões em emendas parlamentares, o maior valor já registrado na história do país.
- Ao todo, 67% das emendas empenhadas foram pagas, totalizando R$ 47 bilhões; os empenhos chegaram a quase R$ 48,5 bilhões, e R$ 15,5 bilhões devem ainda ser classificados como restos a pagar.
- A maior parte dos pagamentos foi de emendas impositivas (83,1%), incluindo R$ 19,9 bilhões em emendas individuais e R$ 6,3 bilhões em emendas das bancadas estaduais.
- Emendas de comissão somaram R$ 5,3 bilhões pagas, com 47,4% de pagamento nesse tipo; R$ 11,2 bilhões em emendas de comissão estavam empenhados (98%) mas ainda não pagos.
- No fim de 2025 houve ritmo acelerado de liberação, com R$ 1,53 bilhão pagos na semana da véspera de Natal, em acordo entre Planalto e Congresso para quitar emendas represadas.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou 2025 com a maior soma já paga em emendas parlamentares, segundo levantamento do g1 com dados do Siop. Ao todo, foram desembolsados 31,5 bilhões de reais em emendas impositivas ou discricionárias. O informe considera pagamentos até 31 de dezembro de 2025.
Do total pago, 67% das emendas empenhadas já receberam o desembolso, somando 47 bilhões de reais, dentro de um orçamento autorizado de 48,5 bilhões. O valor inicial previsto para todo o ano havia sido de 50 bilhões e foi ajustado ao longo do tempo.
A maior parte dos recursos liberados neste ano foi destinada por meio de emendas individuais, que representam 83,1% do montante pago, totalizando 19,9 bilhões de reais. Também foram liberados 6,3 bilhões para emendas de bancadas estaduais.
Emendas de comissão, embora representem menos do que as outras categorias, somaram 5,3 bilhões de reais. Elas ficaram com o menor índice de pagamento, em torno de 47,4% neste ciclo.
Ao todo, cerca de 11,2 bilhões de reais foram empenhados em emendas de comissão, equivalente a 98% do previsto no orçamento específico. Por isso, o saldo remanescente deverá virar restos a pagar para pagamentos futuros.
Receita e prática mostram que o governo empenhou quase tudo o que havia sido autorizado para as emendas de bancada e de comissões. Em contrapartida, o cumprimento de pagamentos ficou abaixo do esperado, gerando restos a pagar.
Emendas empenhadas mas não pagas
- Individuais: 5,9 bilhões de reais
- Bancadas: 5,3 bilhões de reais
- Comissões: 4,3 bilhões de reais
A evolução histórica aponta crescimento expressivo de emendas parlamentares no Brasil. Entre 2016 e 2025, o montante total destinado subiu de 9 bilhões para 48,5 bilhões de reais.
O marco de 2020, com a onda de emendas do relator, ficou conhecido como orçamento secreto, alvo de ações do STF. A partir de 2020, o Congresso consolidou regras que tornaram obrigatórios os pagamentos de emendas individuais e de bancada, enquanto as de comissão permanecem não obrigatórias.
Entre 2020 e 2023, a soma autorizada atingiu 132 bilhões de reais e 127 bilhões já estavam empenhados, segundo comparativo com o governo anterior. O avanço se deu principalmente pelas emendas de comissão.
No fim de 2025, o ritmo de liberação acelerou, com 1,53 bilhão de reais distribuídos na semana do Natal. Deste total, 831 milhões foram para emendas de bancadas estaduais, 416 milhões para comissões e 270 milhões para emendas individuais.
Essa aceleração ocorre em acordo entre o Planalto e o Congresso, segundo manifestações do presidente da Câmara, que citou a atuação da ministra Gleisi Hoffmann como parte do esforço para quitar emendas represadas.
Entre na conversa da comunidade