- O ex-assessor sênior de ética do DoJ, Joseph Tirrell, treinou a procuradora-geral Pam Bondi sobre as regras de ética da pasta.
- Tirrell foi demitido sem explicação, e a notificação foi assinada por Bondi; ele está processando o DoJ.
- O caso envolve episódios sobre presentes e a aparência de imparcialidade, como charutos oferecidos pelo boxeador Conor McGregor e itens da FIFA ligados à Copa do Mundo.
- Tirrell também orientou sobre participação da missão de Bondi em eventos governamentais, incluindo possíveis ingressos para a final da Copa do Mundo de clubes da FIFA, e questões relativas a segurança do presidente.
- O DoJ afirma que conselhos de ética são seguidos e que a demissão de funcionários de carreira tem ocorrido, enquanto Tirrell sustenta que houve interferência política.
Joseph Tirrell, top oficial de ética do DoJ, foi demitido sem explicação formal, em meio a controvérsias sobre presentes recebidos por autoridades e possíveis impactos na apuração. A decisão foi comunicada por e-mail pessoal assinado pela então procuradora-geral Pam Bondi.
Tirrell afirmou ter treinado Bondi sobre regras de ética do DoJ, inclusive temas como o Hatch Act. Ele relata que o foco do treinamento acabou recaindo sobre presentes de subordinados, um tema que ele considerou menor, mas que ganhou relevância interna.
O caso envolve decisões éticas que vão além do treinamento. Tirrell denunciou conflitos de interesses e questionamentos sobre a aparência de imparcialidade na atuação da AG, especialmente em relação a presentes recebidos e viagens relacionadas a eventos esportivos.
Em julho, Tirrell recebeu a notícia de demissão enquanto estava de férias, via e-mail enviado a uma conta pessoal. A mensagem não detalhou razões, e a confirmação oficial ocorreu apenas após contato telefônico com superiores.
Entre os episódios citados pelo ex-funcionário, destacam-se presentes: um conjunto de charutos da marca de Conor McGregor e itens da FIFA, que excediam limites permitidos e geraram orientações para não aceitar ou exibir tais itens.
Tirrell também relata discussões sobre a possível participação de Bondi em evento da FIFA em 2025, com orientações estritas sobre a permissão de ingressos, sobretudo se o presidente estivesse presente. A recomendação, segundo ele, era não aceitar.
A demissão de Tirrell ocorre em um contexto maior de afastamentos de funcionários federais que lidaram com casos sensíveis, inclusive ligados a investigações da operação que apura o ex-presidente Donald Trump. A movimentação tem sido tema de debate sobre interferência política na carreira de servidores.
O ex-funcionário, de 51 anos, ingressou no DoJ em 2018 após passagem pela FBI. Em entrevistas, ele defende que as regras éticas visam preservar a neutralidade da atuação das autoridades, especialmente em temas envolvendo presentes e aparições públicas.
O DoJ não divulgou justificativas adicionais sobre a demissão de Tirrell. Um porta-voz da instituição informou que discussões éticas com funcionários são rotineiras e que a orientação recebida por Bondi permanece sob avaliação interna. Tirrell já move ação contra o DoJ.
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