- Lula volta de férias para enfrentar, em 2026, desafios como violência urbana, juros altos e um Congresso resistente ao Palácio do Planalto.
- Até abril de 2026, pelo menos vinte ministros devem deixar o governo para disputar a eleição; Haddad é cotado para sair da Fazenda e apoiar a campanha de Lula.
- A indicação de Jorge Messias ao STF segue em tramitação após envio da mensagem ao Congresso, com resistência no Senado e negociações para obtenção de votos.
- Segurança pública permanece na agenda: o Senado aprovou o projeto antifacção e o texto retorna à Câmara; a PEC da Segurança Pública também é prioridade no debate legislativo.
- No campo econômico, o governo registra rombo de 83,8 bilhões até novembro; a dívida pública consolidada deve alcançar cerca de 82,5% do PIB, mantendo pressão sobre juros e inflação.
O ano de 2026 promete testar a atuação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) além da expectativa de reeleição. O presidente enfrenta problemas históricos, como violência urbana e juros altos, enquanto lida com um Congresso resistente ao Palácio do Planalto. A atuação de Lula é acompanhada de perto pela população e pelo mercado.
Entre os desafios está a necessidade de manter o equilíbrio entre as demandas do PT e a construção de frentes com outras legendas. O governo busca manter agenda de programas sociais e ao mesmo tempo enfrentar pressões fiscais e alternativas de política econômica. A relação com o Legislativo tende a orientar as estratégias para 2026.
A seguir, os desdobramentos mais relevantes para o mandamento e a gestão pública, organizados por temas que avançam ou mudam o cenário político.
Saída de ministros
Lula planeja encontros individuais com ministros que disputarão as eleições. Ao menos 20 ministros devem deixar o cargo até abril de 2026, para cumprir desincompatibilização. Entre eles, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vê-se como ponto central para manter palanque estratégico em São Paulo.
Haddad almeja deixar a Fazenda em fevereiro para apoiar a campanha de Lula. Pernambuco e Bahia também devem ficar sob atenção com novas composições de governo. Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, ainda não confirmou saída. Rui Costa e Gleisi Hoffmann pretendem novos cargos.
Lula afirmou, em café com jornalistas, que não impedirá saídas, apenas torce para que quem sair seja eleito. O vice-presidente Geraldo Alckmin pode continuar como parceiro político em 2026, conforme as negociações internas do partido e alianças recebidas.
Indicação de Messias no STF
A indicação de Jorge Messias para o STF, para ocupar a vaga aberta por Luís Roberto Barroso, gerou atritos institucionais. A sinalização de envio da mensagem ao Congresso ocorreu após articulações no Planalto, Senado e Câmara, com resistência de alguns pares no parlamento.
O governo tem buscado apoio no Senado, onde Messias precisa de ao menos 41 votos para tomar posse. Reuniões com senadores foram realizadas para consolidar apoios, apesar de críticas de parte da oposição que vê entraves institucionais. A sabatina não tem data definida.
A qualquer momento, a etapa seguinte depende da formalização da indicação e da aprovação no parlamento, condicionada ao cenário político e à complexidade das articulações em curso.
Segurança e crime organizado
A Câmara tem discutido o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e a chamada Lei Antifacção. O projeto, já aprovado no Senado, prevê penas mais duras e o envio de lideranças tocantes a prisões federais de segurança máxima. O texto retorna para avaliação na Câmara.
Outra frente é a PEC da Segurança Pública, cuja tramitação irá depender de acordos políticos entre palácios e partidos. O governo vê na pauta como prioridade para reduzir a percepção de criminalidade e manter o discurso de atuação firme contra o crime organizado.
Esses temas devem compor parte central da agenda legislativa e de campanha, com impactos diretos na percepção de segurança pelo eleitor.
Relação com Donald Trump
A relação entre Lula e o então presidente dos EUA, Donald Trump, segue na agenda diplomática. Tarifas sobre produtos brasileiros chegaram a 50% no ciclo anterior, com episódios de suspensão parcial de sanções contra o Judiciário brasileiro. Diplomacia e diálogo permanecem como eixo da posição brasileira.
No último período, Trump comunicou a retirada de tarifações para alguns produtos, mas o equilíbrio comercial com os EUA continua sujeito a novos testes. Lula tem reiterado críticas a intervenções externas e defendido a resolução de divergências por meio do diálogo, mantendo a América do Sul como zona de paz.
Projeto da Anistia e da Dosimetria
Lula informou que vetará o chamado Projeto da Dosimetria, que reduz penas de condenados por atos golpistas. A decisão pode levar o veto ao Congresso para deliberação de deputados e senadores, com necessidade de maioria para derrubá-lo. A proposta já enfrenta ações no STF para impedir a tramitação.
Parlamentares avançam em diferentes caminhos, buscando respostas sobre anistia ou dosimetria. A democração institucional e o equilíbrio entre leis e decisões judiciais permanecem em debate, com o tema ainda sem definição final.
Economia
No campo econômico, números apresentados indicam avanço no emprego e na renda, mas o governo mantém gasto público elevado. A combinação de crescimento com dívida pública crescente pressiona a inflação e as escolhas de política monetária, com o Banco Central mantendo juros altos.
As contas públicas registram déficit significativo até novembro, com atraso no fechamento de dados. A dívida do setor público consolidado pode alcançar um patamar próximo a 82,5% do PIB ao fim do mandato, elevando a pressão sobre o custo dos empréstimos e investimentos.
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