- O único debate entre André Ventura e António José Seguro, em Lisboa, mostrou divergências sobre imigração e reforma constitucional.
- Ventura chamou de “cancelamento” o apoio de figuras da direita ao socialista e afirmou que a decisão revela interesses do sistema.
- Figures de direita como Aníbal Cavaco Silva e Paulo Portas apoiaram Seguro, fortalecendo o discurso do adversário contra ele.
- No tema imigração, Seguro sinalizou possibilidade de regularização extraordinária se houver necessidade econômica; Ventura criticou a dependência de mão de obra estrangeira por salários baixos.
- Seguro afirma que será presidente para todos; Ventura defende um presidente mais interventivo e uma reforma constitucional, com as sondagens apontando vantagem para Seguro.
O único debate entre os candidatos à presidência de Portugal ocorreu em Lisboa, no Museu do Design. O encontro colocou frente a frente André Ventura, líder do partido Chega, e António José Seguro, do Partido Socialista. A conversa abordou imigração, a eventual reforma da Constituição e o papel do presidente. Ambos buscaram mostrar versões contrastantes de políticas públicas.
Ventura criticou apoios à esquerda e disse que os movimentos de apoio a Seguro refletem interesses do sistema. A forma como se posiciona contra o que chama de cancelamento foi central em seu discurso. O líder de Chega afirmou que a campanha de Seguro depende de forças do espectro político tradicional.
Seguro afirmou que será presidente de todos, defendendo maior integração social e políticas de acolhimento. O socialista sinalizou que adotaria uma regularização extraordinária de imigrantes se o governo português assim considerar para a economia. Ventura, por sua vez, relacionou a demanda a salários baixos e à necessidade de mão de obra nacional.
Debates sobre imigração e política externa
Os candidatos divergem sobre a gestão da imigração. Seguro defendeu regulação com foco em integração social, enquanto Ventura defendia controles mais rígidos e menos substituição de mão de obra. O tema da regularização também foi mencionado em relação a um processo semelhante em Espanha, que gerou debate entre as propostas.
Ventura atacou a ideia de regularização como ferramenta de choque, insistindo que a economia precisa de salários mais altos para atrair trabalhadores nacionais. Seguro discutiu a necessidade de políticas públicas que incluam cooperação europeia e autonomia estratégica. O ponto sobre a defesa da UE também apareceu no debate, com Seguro defendendo maior autonomia europeia.
Mesmo com as diferenças, ambos concordaram em reconhecer problemas urgentes, como as falhas na saúde pública. No entanto, divergem quanto ao modelo de presidência ideal: Ventura propõe uma figura mais interventiva, enquanto Seguro defende um papel de mediador. A reforma constitucional foi citada por Ventura como necessária, o que não é repetido por Seguro.
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