- Gleisi Hoffmann confirmou que Ricardo Lewandowski avisou Lula sobre atividades privadas antes de assumir o Ministério, negando irregularidade.
- A ministra disse que Lewandowski prestava atividades privadas, sem que isso configurasse crime e sem afetar a fiscalização ou apuração dos fatos.
- O escritório de advocacia da família Lewandowski atendeu o Banco Master, com contrato de R$ 250 mil mensais de início de 2023 até agosto de 2025; familiares de Alexandre de Moraes também prestaram serviços ao Master, em valores elevados.
- Gleisi acusa a oposição de tentar ligar o governo Lula ao Master, afirmando que contratos existem, mas é preciso demonstrar irregularidades, e apontando ligações de governos com fundos de pensão envolvidos com o banco.
- Investigações indicam que o Banco Master vendeu carteiras inexistentes ao BRB para salvar a instituição, com rombo estimado em cerca de R$ 4 bilhões, levando à liquidação do Master decretada pelo Banco Central em novembro.
A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) confirmou que o ex-ministro Ricardo Lewandowski avisou Lula sobre a prestação de consultorias a instituições privadas antes de assumir o Ministério da Justiça, mas negou irregularidade no caso. Ela afirma que o presidente tinha conhecimento de contratos privados e que Lewandowski deveria se afastar de tais atividades para cumprir a lei.
Gleisi disse, em café com a imprensa, que Lula sabia dos contratos privados e que o ministro se desvincularia das atividades econômicas. Em nota, a assessoria retratou a fala sem mencionar contratos específicos, apenas atividades privadas que Lewandowski exercia.
Não houve acusação de crime, segundo a ministra. Ela ressaltou que as consultorias não teriam impactado a fiscalização ou a apuração dos fatos, citando a prisão de Vorcaro durante a gestão de Lula e Lewandowski no governo.
Contexto de contratos e vínculos
O escritório de advocacia da família de Lewandowski prestou serviços ao Banco Master de 2023 a 2025, quando ele ocupava o ministério. O contrato ficou em torno de 250 mil reais mensais. Familiares de Lewandowski permaneceram atuando para o banco até agosto do ano passado.
O Master também contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por cerca de 3,6 milhões mensais, para defesa de interesses do banco, conforme divulgação noticiada pelo jornal O Globo.
Gleisi afirmou que a oposição tenta vincular o governo Lula ao Master, destacando que apenas a existência de contratos não é ilegal. Ela pediu que irregularidades sejam demonstradas e lembrou investigações sobre governos anteriores relacionados ao assunto.
Investigações e desdobramentos do Master
As investigações apontam que o Banco Master vendeu 12,2 bilhões de reais em carteiras inexistentes ao BRB, em operação que visava evitar a crise de liquidez do banco privado. A PF intimou ex-executivos das duas instituições para depor, segundo fontes oficiais.
O rombo do BRB é estimado em 4 bilhões de reais. A crise resultou na liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro. O desdobramento levou a novas fases de apuração sobre a gestão e os vínculos entre instituições e pessoas do meio político.
Encontros e participações
A reunião em que Vorcaro participou não consta na agenda oficial do Planalto, segundo apuração apontada por veículos. Ele esteve no encontro com o ex-ministro Guido Mantega e outras pessoas ligadas ao banco, antes de entrar na pauta com o presidente Lula.
Gleisi disse que o governo adotou postura de atuação estrita na apuração dos fatos, destacando que o Banco Master foi alvo de medidas legais durante a administração do governo, incluindo a prisão de membros envolvidos. O Banco Central também participou de discussões sobre o tema.
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