- Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) vão apoiar a segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, mas as operações de imigração não ocorrerão fora dos Estados Unidos e a segurança continua sob a autoridade italiana.
- A notícia provocou indignação na Itália, com críticas de autoridades locais e da oposição, citando o histórico do ICE em Minneapolis e relatos de pressão a jornalistas italianos que cobriam a reportagem.
- O prefeito de Milão, Beppe Sala, disse que o ICE não é bem-vindo na cidade e que a segurança pode ser garantida sem a participação da agência.
- O ministro do Interior italiano inicialmente minimizou a questão, depois afirmou que o ICE não atuará em território italiano e que a segurança é responsabilidade do Estado italiano; o governo não divulgou lista de pessoal de segurança.
- A oposição protocolou abaixo-assinados para impedir a participação do ICE; o governador da Lombardia, Attilio Fontana, citou que o ICE poderia proteger apenas oficiais americanos, o que aumentou a controvérsia.
A confirmação de que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) vão atuar na segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 gerou críticas na Itália. O ICE informou que a participação é de apoio, mantendo a segurança sob autoridade italiana e sem operações de imigração fora dos EUA. A notícia veio após reportagens do The Guardian.
Apesar das explicações, a reação foi intensa no país. A preocupação envolve o histórico do ICE nos EUA e a percepção de que a presença pode comprometer normas democráticas italianas de segurança. A discussão ganhou tom político e social de amplo alcance.
No mês passado, ocorreram relatos de violência policial em Minneapolis envolvendo o ICE, além de jornalistas da Rai terem sido ameaçados enquanto cobriam operações na cidade. Tais informações alimentam o debate sobre a presença de agentes estrangeiros em eventos no exterior.
Autoridades italianas
O prefeito de Milão, Beppe Sala, criticou veementemente a mobilização, afirmando que o ICE não é bem-vindo e questionando a necessidade de sua presença para a segurança da cidade. A posição dele sinaliza resistência local à participação estrangeira.
O ministro do Interior, Matteo Salvini, inicialmente minimizou o tema, dizendo que a presença poderia ocorrer sem problema. Em seguida, reforçou que o ICE não atuará em território italiano e que a segurança depende do Estado italiano. A lista de pessoal de segurança não foi divulgada.
Depois, o governador da Lombardia, Attilio Fontana, disse que o ICE não atuará no país e que a proteção do evento é responsabilidade italiana. Fontana também comentou que a proteção de autoridades dos EUA não deve depender de agentes estrangeiros.
Reações políticas
A senadora Barbara Floridia, do Movimento 5 Estrelas, criticou o silêncio do governo regional, associando-o a uma suposta subserviência aos EUA. O eurodeputado Alessandro Zan, do Partido Democrático, classificou a presença do ICE como inaceitável.
A AVS e a Azione reuniram assinaturas para impedir a entrada e participação de agentes do ICE na organização dos Jogos. A oposição cita violações de direitos humanos associadas ao ICE para justificar a medida.
Contexto e desdobramentos
O jornal La Repubblica informou que o governo considerou bloquear a participação do ICE, opção que exigiria mudanças significativas em protocolos de proteção a autoridades estrangeiras. Ainda não há decisão final anunciada.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, minimizou a tensão ao afirmar que a situação não envolve uma força externa para manter a ordem pública, mas sim apoio a operações específicas. O prefeito de Milão reiterou a posição de que a cidade pode cuidar de sua segurança sem o ICE.
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