- Ai Weiwei afirmou, em Londres, que o Ocidente não tem autoridade moral para criticar a China e que deve revisar seu histórico em direitos humanos e liberdade de expressão.
- As declarações ocorrem durante a visita de Keir Starmer à China, em busca de recalibrar relações entre Reino Unido e Beijing.
- O artista disse ter mudado de posição, deixando de defender que líderes ocidentais condenassem abusos antes de acordos comerciais.
- Ele afirmou que críticas ocidentais seriam hipócritas e “fazem as pessoas rirem”, citando o caso de Julian Assange.
- Starmer disse que levantaria questões de direitos humanos com o presidente Xi Jinping, incluindo o caso de Jimmy Lai; Ai lembrou da censura ocorrida na Europa, como a suspensão de uma exposição dele em Londres em 2023.
Ai Weiwei afirmou em Londres que o Ocidente precisa revisar seu próprio histórico de direitos humanos antes de criticar a China, em meio à visita do primeiro-ministro britânico ao país. A declaração foi dada à Reuters na quinta-feira, 29 de janeiro.
Ele disse ter mudado de posição em relação a discursos de líderes ocidentais que visitam a China, sugerindo que o Ocidente não está em posição de apontar abusos, devendo antes verificar seu próprio registro em direitos humanos e liberdade de expressão.
A fala ocorre quando o líder britânico Keir Starmer realiza uma viagem de quatro dias à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, com foco em fortalecer relações apesar de preocupações sobre espionagem e direitos humanos.
Visita de Starmer e prioridade econômica
Em Londres, Ai apresentou seu novo livro sobre censura e afirmou que críticas ocidentais a temas como direitos humanos e liberdade de expressão soam hipócritas e podem provocar risos entre o público chinês.
Ele citou o caso de Julian Assange para ilustrar divergências na forma como o Ocidente lida com questões de transparência e justiça, sem oferecer juízos de valor sobre políticas específicas.
Ai também mencionou episódios de censura nos países ocidentais, incluindo a decisão de uma galeria de adiar uma mostra em 2023 após uma postagem sobre a guerra em Gaza.
Panorama sobre a relação diplomática
Apesar das críticas, Ai reconheceu que, do ponto de vista econômico, a visita de Starmer à China é considerada racional e prática, apontando benefícios para o Reino Unido e boa receptividade na China.
Anerrou a ideia de isolamento estratégico, ressaltando que o encontro busca o ângulo comercial dentro de um contexto de tensões diplomáticas já conhecidas.
Fonte: Reuters.
Entre na conversa da comunidade