- A filial britânica da TS Information Technology (TSIT), empresa iraniana, está registrada em Shoreham-by-Sea, West Sussex, ligada ao aplicativo Gap Messenger.
- Gap Messenger é acusado de participação no controle da internet iraniana e na repressão de dissidentes, conforme apuração do FilterWatch.
- Mahdi Anjidani é o chief executive da TSIT; o repórter aponta associações públicas dele com visões pró-regime e aparições na mídia iraniana.
- O Irã promove redes de comunicação domésticas como parte de uma “internet nacional”, às quais Gap Messenger pertence, destinadas a monitorar usuários.
- Gap Messenger tem mais de 1 milhão de downloads no Google Play e cerca de 4 milhões no Cafe Bazaar, loja de apps iraniana.
O grupo por trás do Gap Messenger, aplicativo de mensagens vinculado ao regime iraniano, tem sede no Reino Unido. Os cofundadores Hadi e Mahdi Anjidani operam a TS Information Technology, criada em 2010, hoje registrada em Shoreham-by-Sea, West Sussex. A empresa funciona como braço britânico da Towse’e Saman Information Technology (TSIT) no Irã.
Gap Messenger é apresentado como uma alternativa iraniana ao Telegram, com criptografia e alegação de não compartilhar dados com terceiros. Contudo, organizações de direitos digitais iranianas apontam inconsistências entre esse perfil público e investigações independentes. Segundo a FilterWatch, Gap Messenger figura entre atores que participam do controle e da repressão online no país.
A publicação britânica revela que Mahdi Anjidani, CEO da TSIT, tem histórico de visões pró-regime em veículos de mídia iranianos, incluindo apoio a medidas de censura. Além disso, o jornal aponta ligações entre Anjidani e projetos de redes sociais locais, bem como postagens que sugerem encontros com figuras oficiais iranianas.
O paralelo entre a internet nacional do Irã e plataformas domésticas é destacado no material, com o governo promovendo redes de mensagens sob monitoramento. Analistas citados pela reportagem afirmam que o objetivo dessas plataformas é facilitar controle, monitoramento de conversas e silenciamento de dissidentes, ao restringir a expressão independente.
O Gap Messenger já teria atingido mais de 1 milhão de downloads na Google Play e milhões adicionais no Café Bazaar, loja de apps iraniana, incluindo recursos de pagamentos, chamadas online e adesivos. Reguladores e especialistas consultados sugerem que o uso de plataformas domésticas facilita a coleta de dados pelo Estado.
A reportagem não conseguiu contato direto com os Anjidani para comentários. Em visitas ao endereço de registro no Reino Unido, o jornalista encontrou resistência e pouca interação na comunidade local, reforçando o caráter reservado da família envolvida.
A investigação aponta ainda que investimentos e parcerias no Irã, incluindo redes sociais associadas a Anjidani, estariam conectados a políticas de censura e cooperação com autoridades locais. Diversos especialistas consultados destacam o papel de plataformas locais na vigilância e no controle de expressão.
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