- A rivalidade entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ganhou visibilidade, com ataques a Yemen contra remessas de armas ao Conselho de Transição do sul (STC) e pressão de Riad para dissolver o grupo; Abu Dhabi acabou cedendo.
- Em 2025, os sauditas teriam feito lobby junto aos EUA para sanctionar os Emirados e pressionado a Somália a expulsar militares dos Emirados; os Emirados fecharam acordo de gás de 3 bilhões de dólares com a Índia.
- O choque de visões estratégicas é claro: os Emirados seguem uma estratégia revisionista, usando força militar e apoio a grupos separatistas; a Arábia Saudita, tradicionalmente defensor do status quo, recuou após breve inclinação reformista sob Mohammed bin Salman.
- A complexa dinâmica envolve Israel, Irã e os Acordos de Abraão: Emirados estreitaram relações com Israel, o que dificultou uma normalização saudita sob a pressão de Abu Dhabi; o Hamas de 2023 mudou alianças regionais.
- Apesar das tensões, não há interesse em ruptura total; há expectativa de que haja gestão pragmática da competição, mantendo alinhamentos diferentes entre um bloco pró-Emirados (Israel, Índia) e um bloco apoiado pela Arábia Saudita (Turquia, Qatar).
O rompimento entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ganhou corpo nas últimas semanas, com consequências diretas na região. Em Yemen, ataques aéreos sauditas miraram remessas de armas para o Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados, no fim de dezembro. Riyadh pressionou Abu Dhabi, que recuou apenas quando o STC concordou em se dissolver.
O desfecho foi observado como sinal de ruptura entre as duas potências do Golfo. A discordância extrapolou Yemen, atingindo Sudão, Somália e outras frentes, com ações diplomáticas e econômicas que sinalizam mudanças no alinhamento regional.
Geografia e estratégia falam mais alto. Enquanto Abu Dhabi sustenta uma visão revisionista com uso de força e apoio a grupos separatistas, Riyadh permaneceu mais favorável à estabilidade, ainda que tenha adotado uma postura mais assertiva sob Mohammed bin Salman. O descolamento ficou evidente.
Historicamente, Abu Dhabi buscou influência com Washington e Riyadh para ampliar seu espaço estratégico, enquanto a Arábia buscou manter o equilíbrio de poder na região. A relação entre Mohammed bin Salman e Mohamed bin Zayed foi marcada por cooperação inicial e, recentemente, por desentendimentos.
Em 2025, surgiram atritos visíveis. A Arábia Saudita teria pressionado a EUA para sancionar os Emirados, segundo relatos de fontes abertas. Ao mesmo tempo, a Somália foi pressionada a expulsar forças Emiratis e cancelar contratos com Abu Dhabi.
Em resposta, os Emirados firmaram acordo de gás de 3 bilhões de dólares com a Índia, visto como contrapeso à relação saudita com o Paquistão. A disputa envolve, portanto, não apenas Yemen, mas uma visão de ordem regional.
Essa divergência reflete dois caminhos estratégicos: Riyadh, com foco em estabilidade, e Abu Dhabi, com maior uso de ferramentas revisionistas. A leitura a curto prazo aponta para fricção contínua entre os dois países.
Subterraneamente, o choque afeta aliados e parceiros regionais. Países como Egito e Bahrein precisam manter equilíbrio entre os laços com Riyadh e com Abu Dhabi, diante do risco de escolhas conflituosas.
Mudanças de alianças e impactos regionais
Em 2021, sinais de desgaste começaram a aparecer, com aproximação entre Riyadh e Doha e esfriamento das relações com Abu Dhabi. Em 2023, o desfecho da relação com Teerã elevou a tensão entre as duas capitais, alimentando lutas diplomáticas.
Cenário atual e perspectivas
Especialistas veem a disputa como uma linha de fratura que pode durar meses ou anos, sem risco imediato de ruptura total. O caminho provável envolve contenção mútua e escolhas pragmáticas para evitar danos maiores a seus interesses estratégicos.
O que esperar a partir de agora
As duas partes devem buscar sinais de reconciliação prática em áreas de interesse comum, como contenção de atores disruptivos e cooperação econômica. Enquanto isso, aliados regionais seguem ajustando suas estratégias para navegar o cenário.
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