- O governo australiano concedeu contratos à subsidiária australiana da Management and Training Corporation (MTC) para operar instalações de processamento offshore em Nauru e gerenciar a rede de detenção onshore.
- A MTC é alvo de críticas nos EUA por alegações de negligência grave, falhas de segurança e possível esquema de propina, segundo acusações de autoridades estaduais.
- A empresa atua no endurecimento da política de imigração da administração Trump, mantendo detentos da ICE em centros como Bluebonnet, IAH Polk, Otero County e Imperial.
- Organizações como a ACLU e defensores locais pedem revisão dos contratos da MTC com o governo australiano, citando o histórico problemático da empresa.
- Reportagens indicam que a MTC recebeu cerca de US$ 790 milhões para manter 100 pessoas em Nauru e venceu contrato onshore de US$ 2,3 bilhões em 2024.
O governo australiano manteve contratos com a subsidiária australiana da Management and Training Corporation (MTC), uma operadora privada de prisões dos EUA, para atuar em centros de detenção de imigração no país. Os acordos incluem operações de processamento offshore em Nauru e a gestão da rede de detenção onshore na Austrália. A decisão ocorreu mesmo diante de críticas sobre o histórico da empresa nos EUA, incluindo alegações de falhas graves de segurança e má gestão.
A MTC Australia ficou envolvida em várias instâncias de controvérsia nos Estados Unidos, com denúncias de negligência severa e incidentes de superlotação. Além disso, o estado do Mississippi já acusou a empresa de participação em esquema de propinas, fraude e lavagem de dinheiro para obtenção de contratos. Tais antecedentes alimentam o debate sobre a elegibilidade da empresa para contratos públicos na Austrália.
A empresa opera atualmente unidades como Bluebonnet, IAH Polk e Otero County, além do Imperial Regional Detention Facility, próximos à fronteira com o México. Grupos de defesa dos direitos humanos apontam relatos de agressões a internos, uso de confinamento solitário e condições de superlotação em várias instalações. ACLU também registra críticas ao histórico de gestão de detenção pela empresa.
Reações locais e chamadas para revisão
Ativistas e representantes políticos portugueses de lares de refugiados pedem avaliação rigorosa dos contratos com a MTC. Jana Favero, do Asylum Seeker Resource Centre, classifica a parceria como preocupante dada a trajetória nos EUA e cobra distanciamento de ações de intolerância. Parlamentares verdes defendem revisão imediata dos acordos.
Especialistas lembram que, apesar das críticas, o governo australiano publicou avaliações anteriores sobre integridade dos contratos. Um relatório de 2023, elaborado por Dennis Richardson, indicou que a Austrália poderia manter a contratação com a MTC dentro de diretrizes, desde que mantidos padrões de direitos humanos. O Departamento de Assuntos Internos afirma monitorar o desempenho com base em evidências.
A família de direitos humanos reforça a necessidade de transparência. Observadores apontam que a gestão privada não exime o poder público de garantir padrões de bem-estar, dignidade e proteção dos detidos. O governo afirma que os contratos são administrados com vigilância de desempenho e cumprimento contratual.
Entre na conversa da comunidade